Nos últimos anos, ocorreram mudanças importantes no manejo da asma grave em paralelo ao melhor entendimento da fisiopatologia e fenotipagem da doença. Diversas opções terapêuticas têm ganhado espaço; seu pleno conhecimento é imprescindível para um tratamento otimizado ao paciente asmático. De acordo com as orientações para o manejo da asma grave da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (2021), sobre o tratamento farmacológico de pacientes com tal condição assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O brometo de tiotrópio está aprovado para o tratamento da asma na dose de 5 mcg/dia a partir dos 6 anos de idade.
Certa: o tiotrópio é aprovado como terapia adjuvante na asma a partir de 6 anos, na dose de 5 mcg/dia, em pacientes não controlados.
- B)São preditores de resposta ao mepolizumabe: eosinófilos séricos ≥ 150 células/μL; presença de exacerbações no ano anterior; e, asma de início na idade adulta.
Certa: eosinofilia, exacerbações no ano anterior e início da asma na vida adulta são fatores associados a melhor resposta ao mepolizumabe.
- C)A predição de sucesso ao tratamento e a avaliação da resposta terapêutica ao omalizumabe devem ser realizadas através da dosagem da imunoglobulina E (IgE)sérica.
Errada: a IgE sérica não é parâmetro para avaliar resposta ao omalizumabe; ela serve para seleção/dose, enquanto a resposta é clínica.
- D)O brometo de tiotrópio pode ser indicado como medicação adicional para asmáticos com doença não controlada que já estejam recebendo dose moderada ou alta de corticoide inalatório + β2 agonista de longa duração (etapa IV ou V).
Certa: o tiotrópio pode ser acrescentado em asma não controlada apesar de corticoide inalatório em dose moderada ou alta associado a LABA.
- E)O mepolizumabe é um anticorpo monoclonal completamente humanizado IgG1/k, com alta afinidade pelo ligante da interleucina-5, que impede sua ligação ao epítopo do receptor alfa da interleucina-5, bloqueando sua atividade e, consequentemente, a resposta inflamatória eosinofílica.
Certa: o mepolizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado anti-IL-5 que bloqueia a atividade eosinofílica.
Gabarito: C
Na asma grave, o tratamento deixou de ser apenas “aumentar o corticoide e torcer” e passou a ser mais individualizado, com apoio de fenotipagem e biomarcadores. Por isso, hoje você vê broncodilatador de longa ação, anticolinérgico, e até biológicos entrando na cena quando o controle não vem com a terapia inalatória otimizada. O tiotrópio pode ser usado como medicação add-on em pacientes com asma não controlada nas etapas IV e V, e o mepolizumabe é um anti-IL-5 voltado ao fenótipo eosinofílico, com preditores de melhor resposta como eosinofilia e história de exacerbações. Já o omalizumabe é outro biológico, indicado na asma alérgica, e seu uso depende de critérios clínicos e laboratoriais na seleção do paciente. A letra C está incorreta porque a IgE sérica não é usada para “medir sucesso” ou para acompanhar resposta terapêutica ao omalizumabe. A IgE total serve principalmente para seleção e ajuste de dose do omalizumabe, junto com o peso e o perfil clínico, mas a resposta deve ser avaliada por desfechos clínicos, como controle da asma, redução de exacerbações e menor necessidade de corticoide oral. Em resumo: IgE ajuda a entrar no tratamento, mas quem diz se deu certo é a clínica.