Paciente, sexo masculino, 50 anos, hipertenso e tabagista, comparece em consulta para avaliação de quadro de dispneia e síncope. Na ausculta cardíaca foram verificados: hipofonese de B1 e B2;sopro sistólico com pico telessistólico; e, desdobramento paradoxal de B2. Considerando o exame físico do paciente, é mais provável que ele apresente como diagnóstico:
- A)Estenose valvar mitral.
Errada, porque a estenose mitral dá sopro diastólico em ruflar, com estalido de abertura, e não sopro sistólico com pico telessistólico.
- B)Estenose valvar aórtica.
Certa, pois a estenose aórtica causa sopro sistólico ejetivo com pico tardio, hipofonese de bulhas e desdobramento paradoxal de B2, além de dispneia e síncope.
- C)Estenose valvar pulmonar.
Errada, porque a estenose pulmonar também é sopro sistólico ejetivo, mas o contexto clínico e auscultatório típico aqui aponta para lesão aórtica, não pulmonar.
- D)Insuficiência valvar mitral.
Errada, pois a insuficiência mitral costuma produzir sopro holossistólico em foco mitral, irradiado para a axila, e não desdobramento paradoxal de B2.
- E)Insuficiência valvar aórtica.
Errada, porque a insuficiência aórtica gera sopro diastólico em decrescendo e sinais de hiperfluxo, não sopro sistólico com pico telessistólico.
Gabarito: B
A combinação de dispneia, síncope e sopro sistólico com pico telessistólico aponta muito para estenose aórtica. Nessa valvopatia, o ventrículo esquerdo precisa fazer mais força para ejectar sangue através de uma válvula estreitada, então o sopro aparece na sístole, cresce e atinge o auge mais tarde. É o clássico paciente que “anda devagar, cansa e desmaia”, especialmente quando a obstrução fica importante. A hipofonese de B1 e B2 também ajuda: como a mobilidade valvar e a abertura da válvula ficam reduzidas, os ruídos cardíacos tendem a ficar mais abafados. Outro achado bem típico é o desdobramento paradoxal de B2, porque o fechamento da valva aórtica fica atrasado, invertendo a ordem habitual dos componentes de B2. Quando você junta tudo isso, o quadro fica bem mais coerente com estenose aórtica do que com outras valvopatias. Na prática, a estenose aórtica é uma causa clássica de síncope aos esforços, angina e dispneia. Em prova, a banca gosta de empilhar sinais de exame físico para você reconhecer o padrão sem precisar de eco. Aqui, o exame físico já praticamente grita a hipótese, então o gabarito B fica bem amarrado. Se você quiser uma memória rápida: sopro sistólico ejetivo + pico tardio + B2 paradoxo = pense primeiro em estenose aórtica. É aquele combo que não costuma passar despercebido em cardiologia de concurso.