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Medicina · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente, sexo feminino, 50 anos, procura atendimento devido à perda auditiva progressiva unilateral à direita há cerca de 15 anos, predominante em frequências graves. Refere que foi submetida à cirurgia de estapedotomia; porém, não houve qualquer melhora da audição. Além disso, relata episódios de tontura desencadeados por sons altos; sente-se incomodada por escutar sons de seu corpo como do piscar de olhos ou deglutição. Resultados dos exames: - Audiometria: apresenta perda auditiva condutiva (gap aéreo-ósseo), predominante em frequências graves e hiperacusia por via óssea no ouvido direito. Audiometria normal no ouvido esquerdo. - Potencial Evocado Miogênico Vestibular (VEMP): os resultados do VEMP revelam uma resposta aumentada (aumento da amplitude) e diminuição do limiar no ouvido direito quando estimulado. - Reflexos estapedianos: presentes e normais em ambos os ouvidos. Com base nos resultados dos exames, o diagnóstico mais provável para tal paciente é:

Gabarito: E

A pista principal aqui é a combinação de perda auditiva condutiva com gap aéreo-ósseo, mas com um detalhe muito esperto: reflexos estapedianos presentes e VEMP alterado, além de queixas de autopercepção de sons do corpo e tontura provocada por sons altos. Isso aponta para a chamada “terceira janela” do labirinto, em que existe uma abertura anômala na cápsula óssea do ouvido interno, desviando energia sonora e vestibular. Na prática, isso pode simular otosclerose, mas a cirurgia de estapedotomia não melhora porque o problema não é fixação do estribo. Na síndrome de deiscência de canal semicircular superior, a deiscência cria uma comunicação anormal que altera a mecânica coclear e vestibular. Por isso aparecem sintomas como autofonia, hiperacusia por via óssea e vertigem induzida por som ou pressão, que é um clássico bem cobrado em prova. O VEMP costuma vir com limiar reduzido e resposta aumentada no lado afetado, exatamente como no enunciado. Os reflexos estapedianos normais também ajudam muito a afastar otosclerose, porque na otosclerose eles tendem a estar abolidos ou alterados. Ou seja: a paciente foi operada como se tivesse uma doença do estribo, mas o quadro real é de um problema de canal semicircular superior. A banca gosta desse contraste entre “parece otosclerose” e “na verdade é deiscência”. Em resumo, o diagnóstico é síndrome de deiscência de canal semicircular superior. É o tipo de questão em que o ouvido “fala alto demais” e o corpo vira um instrumento musical, mas o problema é estrutural e vestibular, não uma simples otosclerose.

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