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Medicina · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente, sexo feminino, 23 anos, refere que há cinco dias apresenta cefaleia de forte intensidade, em região frontotemporal a direita, sem associação com outros sintomas. Refere que a dor teve início abrupto e piorou de forma gradual, cedendo parcialmente com o uso de analgésicos comuns; porém, retorna após algumas horas. Nega quadros semelhantes previamente, nega comorbidades, em uso de anticoncepcional oral combinado. Exame físico: Pressão arterial: 140 x 84 mmHg; FC 86 bpm; FR 16 irm; Temperatura axilar 36,5° C; saturação de oxigênio 98% em ar ambiente. Exame neurológico: ausência de deficits focais; pupilas isofotorreagentes; ausência de sinais meníngeos. Ausculta cardíaca: ritmo regular em dois tempos; bulhas cardíacas normofonéticas; sem sopros. Ausculta respiratória: murmúrio vesicular presente, ausência de ruídos adventícios. Abdômen: globoso; flácido; ausência de visceromegalias palpáveis; e, de peritonismo. Membros inferiores: ausência de sinais de trombose venosa profunda. IMC: 33. Considere o caso clínico hipotético, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Em cefaleia, o ponto-chave do pronto atendimento não é apenas pensar em enxaqueca, mas primeiro procurar sinais de alarme de cefaleia secundária. Dor de início abrupto, primeira crise da vida, mudança de padrão, uso de anticoncepcional combinado e obesidade acendem uma luz amarela importante, porque aumentam a preocupação com causas como trombose venosa cerebral e hipertensão intracraniana, mesmo quando o exame neurológico está “bonitinho”. Por isso, a ausência de déficit focal não zera o risco. Muitas cefaleias secundárias começam só com dor e sem sinais neurológicos exuberantes no começo. Nessa situação, a fundoscopia é uma etapa muito útil, porque pode mostrar papiledema quando há hipertensão intracraniana, e isso pode não estar presente no início ou pode demorar a aparecer. Ou seja: exame neurológico normal não é passe livre para relaxar. A alternativa C está correta exatamente por isso. Ela lembra que o exame neurológico inicial normal não exclui causa secundária e que a fundoscopia deve ser feita, pois pode variar conforme o tempo de evolução da doença. Em suspeita de cefaleia secundária, a avaliação clínica precisa ser mais vigilante, e o exame de fundo de olho ajuda a não perder quadros potencialmente graves. Já a tomografia sem contraste pode ser necessária em alguns cenários, mas um exame normal não descarta todas as causas secundárias, especialmente trombose venosa cerebral e hipertensão intracraniana. Então, em cefaleia suspeita, não basta “tomou analgésico e melhorou”: é preciso pensar além do sintoma e procurar a causa.

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