Laura, 25 anos, comparece à consulta de rotina na UBS. Sem comorbidades, nuligesta, em uso de vitamina D 7.000 UI por semana. Relata ter vida sexual ativa; está em uma relação monogâmica com uma mulher, mas se identifica como bissexual. Sem queixas no momento. Resultado de exames: Citologia oncótica do colo do útero – amostra satisfatória; negativo para lesão intraepitelial, presença de citólise. PCR para Chlamydia: Positivo. PCR para Neisseria: Negativo. Considerando o caso hipotético, assinale afirmativa correta.
- A)É indicado o uso de estrogênio vaginal pela presença de citólise em citologia oncótica.
Errada: citólise na citologia não indica estrogênio vaginal, pois não é um achado que demande reposição hormonal.
- B)Neste momento, deve-se instituir tratamento para Chlamydia com Doxiciclina 100 mg 1 comprimido de 12/12h por sete dias. A parceira deve ser rastreada e tratada.
Certa: clamídia com PCR positivo deve ser tratada com doxiciclina por 7 dias, e a parceira também deve ser rastreada e tratada.
- C)A paciente e a parceira devem ser tratadas com Ceftriaxone 250 mg IM dose única. O exame de PCR deve ser repetido quatro semanas após o tratamento.
Errada: ceftriaxona é tratamento para gonorreia, não para clamídia, e não se recomenda repetir PCR em 4 semanas como regra geral.
- D)Não há necessidade de tratamento para Chlamydia neste momento, pois a paciente se encontra assintomática. Entretanto, se for necessária, a melhor opção de tratamento é a Azitromicina 1 g em dose única.
Errada: paciente assintomática com PCR positivo deve ser tratada, e a azitromicina não é a melhor opção de rotina frente à doxiciclina.
Gabarito: B
A cervicite por Chlamydia trachomatis é uma IST que pode ser totalmente assintomática, então o fato de a paciente não ter queixas não afasta o diagnóstico nem dispensa tratamento. Quando o PCR vem positivo, a conduta é tratar e orientar prevenção de transmissão, inclusive com manejo de parceria sexual. No caso, a parceira também deve ser avaliada e tratada, porque a reinfecção é um problema clássico e, em IST, tratar só um lado costuma ser receita para voltar tudo ao ponto de partida. O esquema preferencial hoje para clamídia em adultos não grávidas é doxiciclina 100 mg a cada 12 horas por 7 dias. Azitromicina 1 g em dose única ficou como alternativa em algumas situações, mas não é a melhor opção de rotina. A ideia aqui é simples: exame positivo não é enfeite de laudo, é indicação de tratamento. A citólise na citologia oncótica não justifica estrogênio vaginal. Isso costuma aparecer em contexto de abundância de lactobacilos e não é, por si só, uma doença nem indicação hormonal. Portanto, a alternativa correta é a que reconhece a infecção, prescreve o antibiótico adequado e lembra de tratar a parceira. Em termos de seguimento, a repetição de teste para cura não é feita de rotina em não gestantes logo após o tratamento; quando indicada, deve respeitar o tempo mínimo para evitar falso-positivo residual. A banca costuma cobrar exatamente isso: assintomática não significa sem tratamento, e clamídia não se trata com ceftriaxona, que é usada para gonorreia.