Fimose consiste em não conseguir retrair o prepúcio no menino e, com isso, não é possível expor nenhuma porção da glande. É procura frequente em consultório de pediatria, de cirurgia pediátrica, ou de urologia pediátrica, não apenas pelo pênis ser parte do sistema urinário e reprodutivo, mas também por ser símbolo de masculinidade. O tratamento cirúrgico deve ser considerado nas seguintes situações, EXCETO:
- A)Fimose patológica.
Correta como indicação cirúrgica, porque fimose patológica sugere estreitamento anormal e persistente do prepúcio.
- B)História de balanopostite.
Correta como indicação cirúrgica, já que balanopostite recorrente aponta inflamação/infeção de repetição e favorece intervenção.
- C)Meninos maiores com fimose fisiológica em que não houve resolução com tratamento com corticosteroide.
Correta como indicação cirúrgica, porque a fimose fisiológica que persiste em meninos maiores após corticosteroide pode precisar de abordagem operatória.
- D)Crianças que apresentem Infecção do Trato Urinário (ITU) recorrentes ou casos em que haja predisposição para tal.
Correta como indicação cirúrgica, pois ITU recorrente ou predisposição para ITU é cenário em que a correção pode ser considerada.
- E)Quando há aderência entre a mucosa interna do prepúcio e a mucosa da glande, sem haver alteração na pele do prepúcio.
Errada como indicação cirúrgica, porque aderência entre prepúcio e glande, sem alteração da pele, costuma ser fisiológica e não exige cirurgia.
Gabarito: E
Fimose é a dificuldade de expor a glande por estreitamento do prepúcio. Em muitos meninos pequenos, isso é fisiológico e faz parte do desenvolvimento normal, então nem toda “fimose” vira caso de cirurgia. O que costuma preocupar é quando há sinais de doença de verdade, como cicatriz, infecções repetidas ou repercussão urinária. Na prática pediátrica, o tratamento cirúrgico entra na conversa quando existe fimose patológica, episódios de balanopostite, ou quando um menino maior mantém a fimose fisiológica mesmo após tentativa adequada com corticosteroide tópico. Também pesa bastante a história de ITU recorrente ou risco aumentado para ITU, porque aí o prepúcio deixa de ser só um detalhe anatômico e passa a atrapalhar o jogo. A alternativa E é o ponto fora da curva porque descreve aderência entre a mucosa interna do prepúcio e a mucosa da glande sem alteração da pele do prepúcio. Isso não é indicação cirúrgica: trata-se de aderência prepucial fisiológica, comum na infância, que tende a resolver espontaneamente com o crescimento. Ou seja, o problema está no enunciado tentando vestir uma situação normal com roupa de cirurgia. Resumo de prova: cirurgia em fimose é para quadro patológico ou complicado, não para as aderências fisiológicas do menino pequeno. Se a pele está normal e o que existe é só aderência natural, a conduta é observação e orientação, não bisturi.