As fraturas do fêmur proximal em criança são graves e estão associadas a altos índices de complicações. Geralmente, são ocasionadas por traumas que envolvem alta energia cinética como quedas de altura, acidentes automobilísticos e prática de esportes radicais; podendo acarretar, também, importantes lesões dos tecidos moles. A classificação de Delbet-Colonna é empregada para orientar o tratamento, bem como avaliar o prognóstico. De acordo com tal classificação, o tipo mais comum de fratura do fêmur proximal em crianças é:
- A)I – Transcervical.
Errada, porque o tipo I de Delbet-Colonna é a fratura transepifisária, e não a transcervical.
- B)II – Transfisária.
Errada, porque o tipo II é transcervical, e não transfisária.
- C)II – Transcervical.
Certa, porque o tipo II da classificação de Delbet-Colonna corresponde à fratura transcervical, que é a mais comum.
- D)III – Transfisária.
Errada, porque o tipo III é cervicotrocantérica, e não transfisária.
- E)IV – Transtrocantérica.
Errada, porque a fratura transtrocantérica corresponde ao tipo IV, não ao tipo III.
Gabarito: C
As fraturas do fêmur proximal na criança são lesões raras, mas importantes, porque costumam vir de traumas de alta energia e podem comprometer seriamente a vascularização da cabeça femoral. Por isso, a classificação de Delbet-Colonna ajuda a organizar o raciocínio: ela separa as fraturas conforme o nível do traço em relação ao colo e à região trocantérica, o que também se relaciona com o risco de complicações, como necrose avascular e pseudoartrose. Na classificação, o tipo I é a fratura transepifisária, o tipo II é a transcervical, o tipo III é a cervicotrocantérica e o tipo IV é a intertrocantérica ou transtrocantérica. Entre elas, a mais comum é a transcervical, isto é, a do tipo II. Em prova, isso aparece com frequência porque a banca gosta de cobrar a associação entre o tipo da fratura e sua frequência/prognóstico. Então, o gabarito C está correto porque identifica o tipo II como transcervical, que é justamente o padrão mais comum nas fraturas do fêmur proximal em crianças. Se você lembrar da sequência da classificação, já mata a questão sem drama: I transepifisária, II transcervical, III cervicotrocantérica e IV intertrocantérica. Em termos práticos, quanto mais alta e mais intracapsular for a fratura, maior tende a ser o risco de complicações vasculares. É aquele tipo de tema em que a classificação não é enfeite: ela muda conduta, prognóstico e o nível de alerta do ortopedista.