O conhecimento das infecções fúngicas é de extrema relevância na prática médica dermatológica para adoção de medidas preventivas e instituição de tratamento adequado, evitando o uso desnecessário de medicamentos e o risco de complicações. Sobre micoses, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A zigomicose subcutânea é uma doença inflamatória crônica e de progressão lenta, caracterizada pela formação de granuloma eosinofílico.
Errada: a zigomicose subcutânea não é tipicamente definida por granuloma eosinofílico, descrição mais relacionada a outras entidades granulomatosas.
- B)A estomatite moriforme, típica da paracoccidioidomicose, consiste em lesões mucosas eritematoexulceradas com pontilhado finamente hemorrágico.
Certa: a estomatite moriforme é achado clássico da paracoccidioidomicose, com lesões mucosas eritematoexulceradas e pontilhado hemorrágico.
- C)A forma mais prevalente da esporotricose é a cutânea localizada, caracterizada por lesões papulosas; placas verrucosas; e, áreas eritematosas com descamação.
Errada: a forma mais prevalente da esporotricose é a linfocutânea, e não a cutânea localizada.
- D)Para obter um resultado confiável em um exame micológico da lesão suspeita de Tinea corporis, recomenda-se coletar a amostra na periferia da lesão circinada.
Certa: na tinea corporis, a coleta deve ser feita na periferia da lesão, onde a atividade fúngica é maior.
- E)Hiperplasia pseudoepiteliomatosa; abscessos intraepidérmicos; e, inflamação dérmica supurativa e granulomatosa são os achados histológicos da cromomicose.
Certa: a cromomicose costuma mostrar hiperplasia pseudoepiteliomatosa, abscessos intraepidérmicos e inflamação dérmica supurativa granulomatosa.
Gabarito: C
As micoses cutâneas cobram bastante clínica e morfologia das lesões. A pegadinha costuma estar em misturar o nome da micose com o tipo de lesão e, no fim, você fica com uma alternativa que parece bonita, mas não bate com o quadro clássico. Em Dermatologia, vale sempre pensar em: aspecto da lesão, distribuição, local de coleta para exame e padrão histológico quando a questão pedir detalhe. Na esporotricose, a forma mais comum é a linfocutânea, com lesão inicial no ponto de inoculação e depois nódulos que seguem o trajeto linfático, podendo ulcerar. A forma cutânea localizada existe, mas não é a mais prevalente. Por isso, a alternativa C erra ao afirmar que a forma mais prevalente é a cutânea localizada. As demais alternativas trazem descrições compatíveis com as micoses citadas. Em tinea corporis, a coleta na periferia da lesão é o jeito certo de aumentar a chance de achar o fungo no exame micológico. Já na cromomicose, a histologia clássica pode mostrar hiperplasia pseudoepiteliomatosa e inflamação granulomatosa supurativa. Em outras palavras: o detalhe que derruba a questão está na epidemiologia clínica da esporotricose, não no nome difícil da doença.