A cirurgia endoscópica dos seios paranasais é um procedimento médico comumente empregado para tratar diversas condições nasais, como sinusite crônica; pólipos nasais; e, demais patologias dos seios paranasais. Apesar dos benefícios dessa técnica minimamente invasiva, existem riscos inerentes, especialmente quando se considera a proximidade de estruturas nobres, como nervos e vasos sanguíneos importantes. A análise criteriosa da tomografia dos seios da face pré-operatória é essencial para o cirurgião identificar variações anatômicas e prever possíveis dificuldades, minimizando os riscos de iatrogenia durante o procedimento. Em análise pré-operatória para uma cirurgia endoscópica dos seios paranasais foi verificada na tomografia de seios da face a presença de uma célula etmoidal mais posterior, se estendendo até o seio esfenoidal superior e lateralmente. Tal variação anatômica acarreta em maior risco de lesão de qual estrutura?
- A)Nervo óptico.
Correta, porque a célula de Onodi fica muito próxima ao canal óptico, aumentando o risco de lesão do nervo óptico.
- B)Nervo abducente.
Errada, pois o nervo abducente não é a estrutura anatômica clássica associada a essa variação descrita na tomografia.
- C)Ducto nasolacrimal.
Errada, porque o ducto nasolacrimal está relacionado mais à parede lateral nasal e à região do meato inferior, não a essa célula posterior.
- D)Artéria etmoidal anterior.
Errada, pois a artéria etmoidal anterior tem relação mais anterior na etmoide e não é o principal risco nessa variação.
- E)Artéria etmoidal posterior.
Errada, porque a artéria etmoidal posterior também se relaciona à etmoide posterior, mas a descrição aponta mais para risco neural óptico do que vascular.
Gabarito: A
Na cirurgia endoscópica dos seios paranasais, a tomografia pré-operatória é quase um mapa do tesouro: ela mostra as variações anatômicas que podem transformar um procedimento simples em uma confusão perigosa. Entre essas variações, a célula etmoidal posterior que se projeta para o seio esfenoidal, especialmente de forma superior e lateral, é a chamada célula de Onodi. Essa célula é famosa porque costuma ficar muito próxima do canal óptico, ou até envolver o nervo óptico em algumas pessoas. Na prática, isso aumenta o risco de lesão do nervo durante a abordagem cirúrgica, com possível perda visual grave. Por isso, o cirurgião precisa identificar essa anatomia antes de entrar no campo operatório - ninguém quer descobrir o nervo óptico por acidente, na hora errada. As demais estruturas até podem estar em risco em cirurgias nasais e etmoidais, mas esse achado específico aponta principalmente para o nervo óptico. É um clássico de prova: descreveu célula etmoidal posterior alta e lateral no esfenoide, pense em célula de Onodi e risco óptico. Não há fundamento legal aqui, e sim base anatômica e cirúrgica clássica da otorrinolaringologia e da radiologia dos seios da face.