Os biomarcadores podem auxiliar na identificação dos diferentes fenótipos e endotipos, bem como predizer a resposta ao tratamento da asma grave. A imunoglobulina E (IgE); os eosinófilos no escarro induzido (EosEI) e no sangue periférico (EosS); e, a fração exalada de óxido nítrico (FeNO) são os biomarcadores mais utilizados. Considerando as orientações para o manejo da asma grave da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (2021), sobre tais biomarcadores e sua fenotipagem, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O aumento do valor da FeNO correlaciona-se com maior comprometimento da função pulmonar e exacerbações mais graves.
Correta em termos gerais, porque FeNO mais elevada se associa a inflamação T2 e pior controle, com maior risco de exacerbações e pior desfecho clínico.
- B)Em asmáticos graves, a GINA (Global Initiative for Asthma) sugere como ponto de corte de EosS ≥ 150 células/μL para a caracterização de inflamação T2 alta.
Correta, pois a GINA usa eosinófilos no sangue a partir de 150 células/μL como um ponto de corte sugestivo de inflamação T2 alta em asmáticos graves.
- C)O endotipo T2 baixo é caracterizado por elevada expressão de IL-4, IL-5 e IL-13 e disfunção do epitélio das vias aéreas e produção de IgE no fenótipo alérgico.
Errada, porque IL-4, IL-5, IL-13 e IgE são características do endotipo T2 alto, e não do T2 baixo.
- D)O aumento do percentual de EosEI é um preditor de resposta à corticoterapia inalatória e oral, de falta de controle da doença e de maior risco de exacerbações.
Correta, já que eosinófilos no escarro induzido se associam a resposta a corticoide, pior controle e maior risco de exacerbações.
- E)Considerando a variabilidade de EosS, recomenda-se que a contagem dessas célulasseja realizada, no mínimo, em três ocasiões e sob a menor dose possível de CO.
Correta, pois a contagem de eosinófilos no sangue varia ao longo do tempo e deve ser idealmente repetida em mais de uma ocasião, com o paciente usando a menor dose possível de corticoide oral.
Gabarito: C
Na asma grave, os biomarcadores ajudam a separar melhor os fenótipos e endotipos, especialmente quando você quer saber quem tem inflamação do tipo 2 (T2) e quem tende a responder melhor a corticoide ou a terapias biológicas. Os mais usados na prática são IgE, eosinófilos no sangue e no escarro induzido, além da FeNO, que é um marcador indireto de inflamação eosinofílica nas vias aéreas. Em geral, valores mais altos de FeNO e de eosinófilos sugerem inflamação T2 alta, maior chance de exacerbação e melhor resposta a corticoide, embora nenhum marcador sozinho feche diagnóstico ou substitua a avaliação clínica. A SBPT 2021 e a GINA trabalham nessa linha: usar esses dados para fenotipar, acompanhar e escolher melhor o tratamento, não para “adivinhar” tudo com uma única dosagem. O ponto central da questão está na alternativa C: ela inverte os conceitos. O endotipo T2 baixo não é caracterizado por alta expressão de IL-4, IL-5 e IL-13 nem por aumento de IgE alérgica. Esses achados são típicos do endotipo T2 alto, que costuma estar ligado à inflamação eosinofílica e à alergia. O T2 baixo, ao contrário, costuma ter pouca assinatura dessas citocinas e pode envolver vias não eosinofílicas, como inflamação neutrofílica ou paucigranulocítica. Então, quando você vir IL-4, IL-5, IL-13, IgE e eosinófilos andando juntos, pense em T2 alto. Se a frase disser que isso é T2 baixo, ela está querendo te fazer escorregar no tapete conceitual.