Homem, 70 anos, com antecedente pregresso de DPOC, trazido à unidade de emergência com história de que há sete dias apresenta dispneia importante. Segundo o acompanhante, até para vestir-se, associada à tosse secretiva. Apresenta-se ao exame vigíl e orientado, a ausculta pulmonar: murmúrio vesicular abolido em base pulmonar direita e presença de sibilos difusos bilateralmente e sinais vitais: PA 120 x 60 mmHg; FC 102 bpm; FR 28 irm; saturação de oxigênio de 84% em ar ambiente; temperatura axilar 36° C. Exames laboratoriais: Hemograma Hb 13 Ht 40 Leucócitos globais 17.500 / mm³ com desvio a esquerda. Gasometria arterial Ph 7,25 HCO3 15 / PaCO2 55 mmHg. Sobre o manejo inicial desse paciente, assinale a afirmativa correta.
- A)Deve ser dosado o potássio sérico, visto que o tratamento com broncodilatadores possui como efeito adverso a hipercalemia.
Errada: broncodilatadores beta2 podem causar hipocalemia, e não hipercalemia, então a justificativa está invertida.
- B)De acordo com o Escore mMRc, é classificado como grau II, sendo esta escala um bom parâmetro para avaliação da efetividade da intervenção terapêutica.
Errada: o mMRC classifica dispneia funcional, mas não é a melhor escala para avaliar resposta imediata ao tratamento da exacerbação, além de a descrição clínica não permitir cravar grau II com segurança.
- C)É mandatório que o médico proceda com a obtenção de uma via área definitiva, objetivando a ventilação invasiva, devido aos parâmetros encontrados na gasometria, que evidenciam sinais de hipoxemia grave.
Errada: a gasometria mostra insuficiência respiratória com acidose, mas isso não obriga intubação imediata se o paciente está consciente e pode ser manejado inicialmente com oxigênio controlado e terapia medicamentosa, reservando ventilação invasiva para falha terapêutica ou rebaixamento.
- D)Inicialmente deve ser instituído o tratamento com antibioticoterapia associado ao uso de glicocorticoide sistêmico e broncodilatador inalatório de curta duração, associado à suplementação de oxigênio, objetivando uma meta de saturação entre 89-92%.
Certa: na exacerbação de DPOC com suspeita infecciosa, o início deve ser com broncodilatador de curta duração, corticoide sistêmico, antibiótico quando indicado e oxigênio titulado com meta de saturação de 89% a 92%.
Gabarito: D
Este caso é de exacerbação aguda de DPOC com sinais de gravidade: dispneia intensa, hipoxemia, uso de musculatura? não descrito, mas há taquipneia e gasometria com acidose respiratória associada a hipoxemia. Nessa situação, o manejo inicial é estabilizar primeiro, sem sair tentando intubação de cara se o paciente ainda está vigil, orientado e hemodinamicamente estável. O pacote inicial clássico inclui broncodilatador de curta duração inalatório, corticosteroide sistêmico, antibiótico quando há aumento de secreção purulenta/infecção sugerida, e oxigênio com alvo de saturação entre 89% e 92% para não piorar a retenção de CO2. Esse alvo é uma ideia-chave em DPOC: oxigênio demais pode piorar a hipercapnia em alguns pacientes. Portanto, a alternativa D está correta porque descreve exatamente a conduta inicial adequada para uma exacerbação infecciosa de DPOC, com oxigenoterapia titulada e tratamento medicamentoso combinado.