Gestante, 32 anos, com 16 semanas de gestação vem à consulta de rotina na UBS. Traz exame de glicemia em jejum, solicitado pelo médico assistente com resultado de 130 mg/dL. De acordo com o resultado do exame, pode-se afirmar que a paciente possui o diagnóstico de
- A)diabetes mellitus e a meta de glicemia, em jejum, deve ser menor que 95 mg/dL.
Correta: glicemia de jejum de 130 mg/dL na gestante preenche critério de diabetes mellitus, e a meta de jejum no controle é menor que 95 mg/dL.
- B)diabetes mellitus e a meta de glicemia, em jejum, deve ser menor que 100 mg/dL.
Errada: o diagnóstico até é diabetes mellitus, mas a meta de jejum não é menor que 100 mg/dL.
- C)diabetes gestacional e a meta de glicemia, em jejum, deve ser menor que 95 mg/dL.
Errada: 130 mg/dL em jejum é alto demais para ser apenas diabetes gestacional, embora a meta de jejum dessa condição seja menor que 95 mg/dL.
- D)diabetes gestacional e a meta de glicemia, em jejum, deve ser menor que 100 mg/dL.
Errada: além de o diagnóstico estar incorreto, a meta de jejum em diabetes gestacional não é menor que 100 mg/dL.
Gabarito: A
Na gestação, a glicemia de jejum merece atenção redobrada porque o rastreio do diabetes pode mudar a conduta já no pré-natal. Quando a gestante apresenta glicemia em jejum de 130 mg/dL, esse valor já ultrapassa o ponto de corte para diabetes manifesto na gravidez, e não apenas diabetes gestacional. Em outras palavras: não é um “açúcarzinho um pouco alto”, é diagnóstico de diabetes mellitus na gestação, exigindo acompanhamento e controle rigoroso. O raciocínio aqui é simples: diabetes gestacional costuma ser diagnosticado com critérios mais baixos e, em geral, a meta terapêutica de jejum fica abaixo de 95 mg/dL. Já uma glicemia de jejum igual ou acima de 126 mg/dL sugere diabetes mellitus, inclusive quando detectada na gestação. Por isso, 130 mg/dL fecha o quadro de diabetes mellitus, e não de diabetes gestacional. Depois de feito o diagnóstico, a meta de controle glicêmico em jejum no diabetes da gestação costuma ser menor que 95 mg/dL, com outras metas também mais apertadas para pós-prandial. Isso é importante porque o objetivo é reduzir riscos maternos e fetais, como macrossomia, pré-eclâmpsia e hipoglicemia neonatal. Em termos de prova, a banca quer que você diferencie duas coisas: diagnóstico e meta de controle. O erro clássico é pensar que qualquer hiperglicemia na gestante vira diabetes gestacional. Não vira. Se a glicemia de jejum já vem em nível de diabetes franco, o nome muda e a conduta também.