Paciente, sexo feminino, 26 anos, com queixa de visão turva e hemiplegia à direita há duas semanas. Foi realizado estudo de ressonância magnética do crânio que evidenciou lesão tumefativa frontoparietal à esquerda com extensão ao centro semioval, com hipersinal nas sequências ponderadas em T2, hipossinal nas sequências ponderadas em T1, além de discreta restrição periférica à difusão. Há discreto edema vasogênico adjacente à lesão. Destaca-se impregnação periférica incompleta (aspecto de “anel incompleto”). O diagnóstico mais provável da lesão descrita pelo exame de imagem é:
- A)Glioblastoma.
Errada, porque o glioblastoma costuma ter realce em anel espesso e irregular, com necrose central e maior agressividade radiológica.
- B)Sequela isquêmica.
Errada, porque uma sequela isquêmica tem aspecto crônico, com encefalomalácia e perda de volume, não lesão tumefativa com anel incompleto.
- C)Lesão desmielinizante.
Certa, pois o padrão de anel incompleto, hipersinal em T2, hipossinal em T1 e discreta restrição periférica favorece lesão desmielinizante tumefativa.
- D)Encefalopatia herpética.
Errada, porque a encefalopatia herpética costuma acometer preferencialmente lobos temporais e sistema límbico, e não esse padrão frontoparietal típico.
Gabarito: C
Quando a ressonância mostra uma lesão em "anel incompleto", especialmente com o lado de impregnação mais aberto voltado para a substância cinzenta, o pensamento mais importante é desmielinização, não tumor. Esse padrão é bem clássico de lesão desmielinizante tumefativa, que pode parecer agressiva e até assustar, mas na verdade é uma forma inflamatória de desmielinização que simula massa cerebral. Na imagem descrita, os sinais ajudam bastante: hipersinal em T2, hipossinal em T1, discreto edema vasogênico e restrição periférica à difusão. Esse conjunto combina com processo inflamatório desmielinizante, em que a borda ativa da lesão pode restringir difusão e captar contraste de forma incompleta. Em outras palavras, a lesão "parece um tumor", mas o comportamento radiológico conta outra história. Por que não é glioblastoma? Porque glioblastoma costuma ter anel de realce mais espesso, irregular e mais agressivo, além de necrose central e maior efeito de massa. Sequela isquêmica também não bate, pois lesão antiga costuma ter padrão crônico, com encefalomalácia e perda de volume, e não essa aparência tumefativa com realce em anel incompleto. Encefalopatia herpética, por sua vez, prefere lobos temporais e sistema límbico, não esse padrão frontoparietal com aspecto desmielinizante. Então o gabarito C faz sentido: trata-se de uma lesão desmielinizante tumefativa, um diagnóstico que a ressonância sugere com bastante força quando aparece o famoso "anel incompleto". É uma daquelas imagens que a banca adora usar para testar se você reconhece o truque radiológico sem cair no susto do "parece neoplasia".