Paciente, sexo feminino, 42 anos, com histórico de psoríase, em acompanhamento com dermatologista e uso de metotrexato, procura atendimento com médico clínico-geral, pois iniciará tratamento com medicação inibidora de TNF-Alfa para controle da doença autoimune. Atualmente mora sozinha; não possui contato com pacientes bacilíferos. Apresenta lesões descamativas em tronco e região extensora de membros superiores sem alterações em exame pulmonar e cardíaco. Peso da paciente: 60 kg. Traz os seguintes exames laboratoriais: Hb 14,2; HT 35%; Leucócitos 7.200; neutrófilos 65%; linfócitos 20%; plaquetas 312.000; Cr 0,6; ureia 15; Na 135; K 3,8. Prova tuberculínica: 7 mm. Radiografia de tórax sem alterações. De acordo com o caso clínico hipotético, assinale a opção terapêutica considerada adequada para o tratamento da tuberculose latente.
- A)Isoniazida 300 mg/dia – 270 doses.
Correta: isoniazida 300 mg/dia por 270 doses corresponde ao esquema clássico de 9 meses para tuberculose latente.
- B)Rifampicina 300 mg/dia – 180 doses.
Errada: a dose está inadequada para 60 kg e o esquema com rifampicina 300 mg/dia não corresponde à posologia usual para latente.
- C)Rifampicina 600 mg/dia – 270 doses.
Errada: rifampicina 600 mg/dia por 270 doses não é o esquema padrão de tuberculose latente, além de ter duração excessiva.
- D)Isoniazida 150 mg/dia + Rifapentina 150 mg/semanal por 10 semanas.
Errada: a apresentação e a posologia estão incorretas, e esse esquema semanal não corresponde ao enunciado nem ao padrão cobrado aqui.
Gabarito: A
Antes de iniciar inibidor de TNF-alfa, a preocupação é sempre fazer a varredura para tuberculose latente. Esses medicamentos derrubam a defesa contra o Mycobacterium tuberculosis e podem transformar uma infecção silenciosa em doença ativa. Por isso, na prática, se o paciente tem PPD positivo acima do ponto de corte para imunossuprimidos e radiografia de tórax sem sinais de doença ativa, você trata como tuberculose latente antes ou junto do planejamento do biológico. Neste caso, a paciente tem PPD de 7 mm, é candidata a anti-TNF, não tem contato com bacilífero, não tem sintomas respiratórios, e a radiografia está normal. Isso fecha o cenário de tuberculose latente, e não de tuberculose ativa. O esquema clássico e cobrado com frequência em prova é isoniazida 300 mg/dia por 270 doses, isto é, 9 meses de tratamento. O detalhe que a banca adora é a dose: para adultos, a isoniazida costuma ser 5 mg/kg/dia, com dose máxima de 300 mg. Como ela pesa 60 kg, a dose calculada daria 300 mg/dia. Simples, direto e sem drama - como concurso gosta de parecer, mas nem sempre é. Então o gabarito A está correto porque oferece o esquema padrão para tuberculose latente com isoniazida diária por 9 meses, adequado para paciente com PPD positivo e indicação de imunobiológico, sem sinais de tuberculose ativa. Em termos práticos, você trata a latente primeiro para reduzir o risco de reativação quando o TNF-alfa for bloqueado.