A placenta prévia, definida como a presença de tecido placentário total ou parcialmente inserido no segmento inferior do útero, após 28 semanas de gestação, aumenta o risco de hemorragia anteparto, intraparto e também no período pós-parto. Trata-se de uma conduta INADEQUADA no tratamento da placenta prévia, no contexto de sangramento materno:
- A)Em gestantes que apresentem sangramento inicial maior que 500 ml, não é necessário resolução imediata em metade dos casos.
Errada, porque sangramento inicial maior que 500 ml já exige muita cautela e pode, sim, levar à necessidade de resolução imediata conforme o estado materno e fetal.
- B)Recomenda-se que as gestantes com sangramento não intenso permaneçam em repouso; entretanto, não devem receber suplementação de ferro elementar.
Errada, porque na conduta expectante com sangramento não intenso a paciente pode e deve receber suporte, inclusive ferro se houver necessidade, para prevenir ou tratar anemia.
- C)Se o sangramento for abundante ou houver outras complicações deve ser avaliado o sistema de coagulação (fibrinogênio; plaquetas; tempo de protrombina; e, tempo de tromboplastina parcial ativada).
Certa, pois sangramento abundante ou complicações justificam avaliar coagulação com fibrinogênio, plaquetas, TP e TTPa.
- D)Deve-se indicar imediata resolução da gestação diante de sangramento materno incontrolável (alteração hemodinâmica); vitalidade fetal alterada; maturidade fetal comprovada; ou, idade gestacional acima de 37 semanas.
Certa, já que instabilidade materna, sofrimento fetal, maturidade fetal ou gestação acima de 37 semanas são indicações de interrupção da gestação.
- E)Quando o sangramento materno não for intenso (ausência de alteração hemodinâmica) em gestações com fetos pré-termo, pode ser adotada a conduta expectante, desde que seja possível bom controle materno e fetal.
Certa, porque o sangramento leve em feto pré-termo permite conduta expectante, desde que haja bom controle materno e fetal.
Gabarito: B
Placenta prévia é uma das grandes causas de sangramento no fim da gestação, e a regra aqui é pensar primeiro em estabilidade materna e bem-estar fetal. Se a paciente sangra, você avalia o volume do sangramento, sinais vitais, idade gestacional, vitalidade fetal e se há condição de manter vigilância segura. Quando o quadro é leve e a gestação ainda é pré-termo, pode haver conduta expectante com repouso, monitorização e acesso hospitalar se necessário. Isso porque, em muitos casos, dá para ganhar tempo sem colocar mãe e bebê em risco imediato. Quando o sangramento é importante, persistente ou vem com instabilidade hemodinâmica, sofrimento fetal ou gestação já a termo, a solução costuma ser a interrupção da gestação. Antes disso, se o sangramento for relevante, também faz sentido pedir avaliação da coagulação, incluindo fibrinogênio, plaquetas, TP e TTPa, porque hemorragia obstétrica pode evoluir rápido. A ideia é simples: placenta prévia não combina com improviso, combina com vigilância e decisão rápida quando o quadro piora. A alternativa B está errada porque, se o sangramento não é intenso e a conduta é conservadora, a gestante deve sim receber suporte clínico, inclusive suplementação de ferro quando indicado, já que a perda sanguínea pode levar ou agravar anemia. Ou seja, repouso pode até entrar no plano, mas deixar a paciente sem reposição de ferro não faz sentido na prática nem no cuidado obstétrico habitual. Em resumo: placenta prévia com sangramento leve e feto pré-termo pode ser observada; sangramento grave ou instabilidade pede interrupção. Em obstetrícia, o detalhe que cai muito em prova é esse equilíbrio entre esperar com segurança e agir sem atraso quando o risco sobe.