Em pacientes que se apresentam com quadro sugestivo de síndrome coronariana aguda, nos quais o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio não está estabelecido, os biomarcadores cardíacos são úteis para confirmar tal diagnóstico. Além disso, eles fornecem importantes informações prognósticas, na medida em que existe uma direta associação entre a elevação dos marcadores séricos e o risco de eventos cardíacos a curto e médio prazo. Considerando tal contexto, de acordo com as orientações das Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre angina instável e infarto agudo do miocárdio sem supradesnível do segmento ST, em relação às troponinas, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Quando troponina ultrassensível estiver disponível, a dosagem sérica deve ser realizada na admissão e idealmente reavaliada em 1h ou até 2h.
Certa, porque a troponina ultrassensível permite estratégia de dosagem na admissão e reavaliação precoce em 1 a 2 horas, conforme as diretrizes.
- B)Uma importante limitação das troponinas convencionais é sua baixa sensibilidade, quando o paciente tem um tempo de início do quadro inferior a 6h.
Certa, pois as troponinas convencionais têm menor sensibilidade nas primeiras horas do quadro, especialmente antes de 6 horas de evolução.
- C)Caso indisponível, a troponina convencional deve ser coletada na admissão e repetida, pelo menos, uma vez, de 3h a 6h após, caso a primeira dosagem seja normal ou discretamente elevada.
Certa, já que, sem troponina ultrassensível, recomenda-se coleta na admissão e repetição em 3 a 6 horas se a primeira amostra vier normal ou apenas discretamente elevada.
- D)A dosagem das troponinas proporciona uma identificação acurada de lesão miocárdica, permitindo a exclusão diagnóstica de etiologias não coronarianas como taquiarritmias ou, ainda, condições não cardíacas, como sepse e insuficiência renal.
Errada, porque a troponina identifica lesão miocárdica, mas não exclui etiologias não coronarianas ou até cardíacas não isquêmicas, como taquiarritmias, sepse e insuficiência renal, que também podem elevar o marcador.
Gabarito: D
Nas síndromes coronarianas agudas sem supradesnível do ST, a troponina é o biomarcador mais útil para detectar lesão miocárdica e ajudar no diagnóstico de infarto, além de trazer informação prognóstica. Por isso, a lógica das diretrizes é sempre medir na admissão e repetir em intervalo curto, especialmente quando se usa troponina ultrassensível, que permite reavaliação em 1 a 2 horas. Se a coleta for com troponina convencional, a repetição costuma ocorrer entre 3 e 6 horas, porque no início do quadro ela ainda pode não ter subido o suficiente. O detalhe importante é que troponina alta não significa, automaticamente, infarto por placa coronária: ela indica lesão de miocárdio, e isso pode acontecer em várias situações.