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Medicina · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente, sexo feminino, 55 anos, hipertensa, tabagista, comparece ao pronto-socorro com queixa de palpitações. Encontra-se em bom estado geral e estável hemodinamicamente. Foi solicitado eletrocardiograma que confirmou o diagnóstico de fibrilação atrial. De acordo com as recomendações das II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial, sobre o tratamento desta condição, é INCORRETO afirmar que:

Gabarito: A

Na fibrilação atrial, o raciocínio inicial é sempre separar duas coisas: controle de frequência e controle de ritmo. Se a paciente está estável hemodinamicamente, você pode usar betabloqueador ou bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico, como diltiazem e verapamil, para segurar a resposta ventricular. Isso ajuda a aliviar sintomas sem precisar correr direto para uma estratégia mais agressiva. Quando a ideia é restaurar o ritmo sinusal, a escolha do antiarrítmico depende muito de haver ou não cardiopatia estrutural. Propafenona e sotalol ficam mais para pacientes sem doença cardíaca estrutural, porque o coração já doente não gosta desse tipo de droga. Já a amiodarona costuma ser justamente a opção mais usada quando há cardiopatia estrutural ou disfunção ventricular, então ela não deve ser evitada nesses casos por esse motivo. Por isso, a alternativa A está errada: ela inverte a regra prática mais cobrada em prova. Em vez de evitar a amiodarona na disfunção ventricular, costuma-se preferi-la quando existe essa limitação, porque ela é mais segura do que várias outras opções antiarrítmicas nesse cenário. Quanto à cardioversão elétrica em paciente estável, a conduta clássica é anticoagular por pelo menos 3 semanas antes e manter por pelo menos 4 semanas após o procedimento, conforme as diretrizes de fibrilação atrial. As II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial seguem essa lógica para reduzir o risco tromboembólico.

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