Paciente, sexo feminino, 55 anos, hipertensa, tabagista, comparece ao pronto-socorro com queixa de palpitações. Encontra-se em bom estado geral e estável hemodinamicamente. Foi solicitado eletrocardiograma que confirmou o diagnóstico de fibrilação atrial. De acordo com as recomendações das II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial, sobre o tratamento desta condição, é INCORRETO afirmar que:
- A)A amiodarona deve ser evitada em pacientes com disfunção ventricular.
Errada, porque a amiodarona não deve ser evitada na disfunção ventricular; ela é uma das opções mais usadas quando há cardiopatia estrutural ou redução da função do ventrículo.
- B)A propafenona e o sotalol devem ser usados, preferencialmente, em pacientes sem doença cardíaca estrutural.
Certa, pois propafenona e sotalol são preferencialmente utilizados em pacientes sem doença cardíaca estrutural.
- C)Betabloqueadores e bloqueadores de canais de cálcio (diltiazem e verapamil) podem ser utilizados para o controle da resposta ventricular.
Certa, porque betabloqueadores, diltiazem e verapamil podem ser usados para controle da resposta ventricular na fibrilação atrial.
- D)Quando indicada em pacientes estáveis hemodinamicamente a cardioversão elétrica pode ser realizada após anticoagulação por, no mínimo, três semanas com varfarina ou rivaroxabana e mantida por pelo menos quatro semanas.
Certa, pois em cardioversão elétrica de paciente estável recomenda-se anticoagulação prévia por pelo menos 3 semanas e manutenção por pelo menos 4 semanas após.
Gabarito: A
Na fibrilação atrial, o raciocínio inicial é sempre separar duas coisas: controle de frequência e controle de ritmo. Se a paciente está estável hemodinamicamente, você pode usar betabloqueador ou bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico, como diltiazem e verapamil, para segurar a resposta ventricular. Isso ajuda a aliviar sintomas sem precisar correr direto para uma estratégia mais agressiva. Quando a ideia é restaurar o ritmo sinusal, a escolha do antiarrítmico depende muito de haver ou não cardiopatia estrutural. Propafenona e sotalol ficam mais para pacientes sem doença cardíaca estrutural, porque o coração já doente não gosta desse tipo de droga. Já a amiodarona costuma ser justamente a opção mais usada quando há cardiopatia estrutural ou disfunção ventricular, então ela não deve ser evitada nesses casos por esse motivo. Por isso, a alternativa A está errada: ela inverte a regra prática mais cobrada em prova. Em vez de evitar a amiodarona na disfunção ventricular, costuma-se preferi-la quando existe essa limitação, porque ela é mais segura do que várias outras opções antiarrítmicas nesse cenário. Quanto à cardioversão elétrica em paciente estável, a conduta clássica é anticoagular por pelo menos 3 semanas antes e manter por pelo menos 4 semanas após o procedimento, conforme as diretrizes de fibrilação atrial. As II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial seguem essa lógica para reduzir o risco tromboembólico.