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Medicina · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Medicina

Os métodos enzimáticos colorimétricos são os mais empregados atualmente em laboratórios clínicos para a determinação do colesterol total; do HDL-c; e, dos triglicerídeos. Para o LDL-c há duas opções: o cálculo pela fórmula de Friedewald ou a dosagem direta. Em relação ao cálculo pela fórmula de Friedewald, assinale, a seguir, a condição considerada uma exigência para que o resultado seja confiável.

Gabarito: A

A fórmula de Friedewald é um atalho clássico para estimar o LDL-c sem medir ele diretamente. Ela usa a conta: LDL-c = colesterol total - HDL-c - triglicerídeos/5, assumindo que a fração de VLDL seja estimada a partir dos triglicerídeos. Por isso, ela só funciona bem quando o perfil lipídico está em condições bem específicas, especialmente em jejum e sem alterações importantes das lipoproteínas remanescentes. O ponto central da questão é que a fórmula depende de uma relação estável entre triglicerídeos e VLDL. Quando existe beta-VLDL, como pode ocorrer na disbetalipoproteinemia tipo III, essa relação fica bagunçada e o cálculo deixa de ser confiável. Em outras palavras: a conta continua bonita no papel, mas o laboratório começa a contar história errada. É por isso que o gabarito é a alternativa A. A ausência de beta-VLDL é uma exigência para que o LDL-c calculado por Friedewald tenha validade prática. Esse é um entendimento clássico de bioquímica clínica e de hematologia/laboratório, amplamente aceito na doutrina laboratorial, porque a presença dessas partículas altera justamente o termo que a fórmula tenta estimar indiretamente. Um detalhe importante: na prática, também se exige triglicerídeos em faixa relativamente baixa, porque com triglicerídeos elevados a fórmula perde desempenho. Mas, entre as alternativas dadas, a condição mais correta e diretamente ligada à confiabilidade do método é a ausência de beta-VLDL.

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