Os métodos enzimáticos colorimétricos são os mais empregados atualmente em laboratórios clínicos para a determinação do colesterol total; do HDL-c; e, dos triglicerídeos. Para o LDL-c há duas opções: o cálculo pela fórmula de Friedewald ou a dosagem direta. Em relação ao cálculo pela fórmula de Friedewald, assinale, a seguir, a condição considerada uma exigência para que o resultado seja confiável.
- A)Ausência de beta-VLDL.
Certa: a presença de beta-VLDL interfere na estimativa do LDL-c pela fórmula de Friedewald, tornando o resultado pouco confiável.
- B)HDL menor que 20 mg/Dl.
Errada: o valor do HDL-c não é a condição limitante clássica para a fórmula de Friedewald.
- C)HDL maior que 100 mg/dL.
Errada: HDL-c alto não é requisito para validade do cálculo; a fórmula não depende desse corte.
- D)Triglicerídeos menor que 600 mg/dL.
Errada: triglicerídeos abaixo de 600 mg/dL ainda podem comprometer o cálculo; o limite aceito costuma ser bem mais baixo.
- E)Triglicerídeos menor que 1.000 mg/dL.
Errada: mesmo abaixo de 1.000 mg/dL, o cálculo pode ser inadequado; a fórmula não é confiável em hipertrigliceridemia importante.
Gabarito: A
A fórmula de Friedewald é um atalho clássico para estimar o LDL-c sem medir ele diretamente. Ela usa a conta: LDL-c = colesterol total - HDL-c - triglicerídeos/5, assumindo que a fração de VLDL seja estimada a partir dos triglicerídeos. Por isso, ela só funciona bem quando o perfil lipídico está em condições bem específicas, especialmente em jejum e sem alterações importantes das lipoproteínas remanescentes. O ponto central da questão é que a fórmula depende de uma relação estável entre triglicerídeos e VLDL. Quando existe beta-VLDL, como pode ocorrer na disbetalipoproteinemia tipo III, essa relação fica bagunçada e o cálculo deixa de ser confiável. Em outras palavras: a conta continua bonita no papel, mas o laboratório começa a contar história errada. É por isso que o gabarito é a alternativa A. A ausência de beta-VLDL é uma exigência para que o LDL-c calculado por Friedewald tenha validade prática. Esse é um entendimento clássico de bioquímica clínica e de hematologia/laboratório, amplamente aceito na doutrina laboratorial, porque a presença dessas partículas altera justamente o termo que a fórmula tenta estimar indiretamente. Um detalhe importante: na prática, também se exige triglicerídeos em faixa relativamente baixa, porque com triglicerídeos elevados a fórmula perde desempenho. Mas, entre as alternativas dadas, a condição mais correta e diretamente ligada à confiabilidade do método é a ausência de beta-VLDL.