A Fibrose Cística (FC) é uma doença monogênica autossômica recessiva, decorrente da ausência e/ou do defeito qualitativo e/ou quantitativo da proteína CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Regulator), que funciona na regulação da permeabilidade do íon cloreto e de bicarbonato em células epiteliais. Há mais de duas mil variantes do gene CFTR divididas em seis classes. Elas conferem variações nas células epiteliais pulmonares quanto à expressão da proteína CFTR. A classe correspondente à variante na qual ocorre o bloqueio no processamento da CFTR, causando degradação da proteína e não ancoragem no epitélio é a
- A)I.
A classe I envolve ausência de síntese da CFTR, e não bloqueio de processamento com degradação da proteína.
- B)II.
Está correta porque a classe II corresponde ao defeito de processamento/dobração da CFTR, com degradação precoce e falha de ancoragem na membrana.
- C)III.
A classe III descreve proteína que chega à membrana, mas tem defeito de regulação/abertura do canal, não de processamento.
- D)V.
A classe V está ligada à redução da quantidade de CFTR produzida, e não ao bloqueio no processamento.
- E)VI.
A classe VI envolve instabilidade e menor permanência da CFTR na membrana, e não o defeito inicial de processamento.
Gabarito: B
A fibrose cística acontece quando a proteína CFTR, que funciona como um canal de cloro e bicarbonato nas células epiteliais, não é produzida direito ou não chega a funcionar na membrana. Como resultado, o muco fica mais espesso, prejudicando principalmente pulmões e pâncreas. É uma doença autossômica recessiva, então o quadro costuma aparecer quando a pessoa herda duas variantes patogênicas, uma de cada genitor. As mutações do CFTR são divididas em classes conforme o defeito principal. A classe II é clássica porque a proteína até é sintetizada, mas sofre erro no processamento e dobração, sendo reconhecida como defeituosa e degradada antes de chegar ao epitélio. Em outras palavras, ela não ancorar na membrana é o problema central. O exemplo mais famoso é a ΔF508. Por isso, o gabarito é a letra B. A banca está cobrando a associação entre classe II e defeito de processamento com degradação da CFTR, que impede sua presença funcional na membrana celular. É a típica pergunta que mistura biologia celular com genética médica, mas no fundo quer só essa etiqueta correta para cada classe. Se você lembrar assim fica fácil: classe I = não produz, classe II = produz errado e degrada, classe III = produz e chega, mas não abre direito, classe IV e V têm defeitos de condução ou quantidade, e classe VI envolve instabilidade na membrana.