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Medicina · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente masculino, 53 anos, portador de Diabetes mellitus tipo II e dislipidemia, com história prévia de angioplastia devido IAM com supra ST há três anos. Faz uso irregular das medicações: metformina; atorvastatina; e, AAS. Procura pronto-socorro com história no último mês de despertar noturno devido dispneia e tosse, além de fadiga aos esforços. Hoje apresenta-se com piora da dispneia e fadiga aos mínimos esforços. Ao exame físico: fala entrecortada; ritmo cardíaco regular em 3T; presença de B3; PA 130 x 80 mmHg; ausculta pulmonar com crepitações até terço médio pulmonar bilateral; SatO2 90% em ar ambiente; extremidades frias; e, perfusão periférica de 4 s. De acordo com o caso clínico hipotético, assinale o diagnóstico e o tratamento adequado.

Gabarito: B

A questão descreve uma insuficiência cardíaca descompensada com sinais de congestão e de hipoperfusão ao mesmo tempo. Repare no conjunto: dispneia aos esforços e ortopneia, crepitações até o terço médio dos pulmões, B3, SatO2 baixa e, ao mesmo tempo, extremidades frias e perfusão periférica lenta. Isso não é um quadro “leve” nem apenas congestivo; é um paciente que está mal perfundido e ainda com acúmulo de volume pulmonar. Em provas, isso costuma cair na classificação de perfis hemodinâmicos da IC aguda: quente/frio e seco/úmido. Aqui, o paciente está frio porque tem extremidades frias e perfusão periférica de 4 segundos, indicando baixo débito. Também está úmido porque há crepitações pulmonares e dispneia, mostrando congestão. Essa combinação define o perfil C: frio e úmido. É justamente o perfil mais clássico de descompensação com congestão associada a hipoperfusão. A presença de PA preservada não exclui esse diagnóstico; o que manda é o exame clínico global. No tratamento, o raciocínio é internar e aliviar a congestão, com diurético intravenoso, e muitas vezes vasodilatador se a pressão permitir, como o nitroprussiato. O objetivo é reduzir pré-carga e pós-carga, melhorar a congestão pulmonar e facilitar o trabalho do coração. Em contexto de prova, a abordagem correta para perfil C é hospitalar, com furosemida EV e vasodilatador EV quando não há hipotensão. Por isso o gabarito B está correto: ele reconhece o perfil C e propõe tratamento de internação com furosemida EV e nitroprussiato. Vale lembrar que, em medicina baseada em diretrizes, a classificação clínica dos perfis de Forrester/Stevenson é muito usada na insuficiência cardíaca aguda, e a lógica é sempre olhar perfusão e congestão juntos. O coração, nesse tipo de questão, gosta de dar sinais misturados para ver se você não separa sintoma por sintoma.

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