A classificação do Diabetes Mellitus (DM) permite o tratamento adequado e a definição de estratégias de rastreamento de comorbidades e complicações crônicas. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomenda a classificação baseada na etiopatogenia do diabetes, que compreende o diabetes tipo 1 (DM1), o diabetes tipo 2 (DM2), o diabetes gestacional (DMG) e outros tipos de diabetes. (Classificação do Diabetes – Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023.) De acordo com as orientações da norma citada da SBD, sobre o diagnóstico de tal doença, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Em casos de suspeita de DM1 com apresentação clínica atípica, é recomendada a solicitação de autoanticorpos.
Correta: em DM1 com apresentacao atipica, a solicitacao de autoanticorpos ajuda a esclarecer a etiologia.
- B)O diagnóstico diferencial entre DM1 e DM2 deve ser realizado rotineiramente com base em exames complementares específicos.
Errada: o diferencial entre DM1 e DM2 nao deve ser feito rotineiramente com exames complementares especificos, e sim de forma seletiva quando houver duvida clinica.
- C)Em caso de dúvida diagnóstica quanto à classificação do DM com autoanticorpos negativos, é recomendada, quando disponível, a dosagem de peptídeo C randômico.
Correta: na duvida diagnostica com autoanticorpos negativos, o peptideo C randomico pode ser util para avaliar a producao endogena de insulina.
- D)É recomendado que pessoas adultas com diabetes e anticorpos positivos, as quais não necessitam de insulina por, pelo menos, seis meses após o diagnóstico, sejam classificadas como tendo diabetes autoimune latente do adulto.
Correta: adulto com anticorpos positivos e sem necessidade de insulina por pelo menos 6 meses apos o diagnostico se enquadra como diabetes autoimune latente do adulto.
Gabarito: B
A classificacao do diabetes nao serve so para “dar nome ao problema”: ela orienta tratamento, rastreamento e risco de complicacoes. Pela diretriz da SBD, a classificacao deve ser feita pela etiopatogenia, separando DM1, DM2, DM gestacional e outros tipos. Na pratica, isso significa que voce olha o contexto clinico e, quando ha duvida, usa exames que ajudam a refinar a classificacao, nao um pacote de exames para todo mundo como se fosse linha de montagem. No DM1, principalmente quando a apresentacao foge do padrao, faz sentido pedir autoanticorpos para apoiar o diagnostico. Se os autoanticorpos forem negativos e ainda houver incerteza sobre o tipo de diabetes, a dosagem de peptideo C randomico pode ajudar, quando disponivel, a avaliar a reserva de insulina. Em adultos, a presenca de anticorpos positivos com necessidade tardia de insulina sugere diabetes autoimune latente do adulto (LADA). O ponto errado da questao e a alternativa B porque o diferencial entre DM1 e DM2 nao deve ser feito rotineiramente com exames complementares especificos em todos os casos. A classificacao e, em grande parte, clinico-epidemiologica; exames adicionais entram quando ha duvida diagnostica, quadros atipicos ou necessidade de esclarecer a etiologia. Em outras palavras: a diretriz nao pede “investigacao de laboratorio para toda pessoa com diabetes”, e sim uso seletivo dos testes. Resumo de prova: suspeitou de DM1 atipico? pense em autoanticorpos. Ficou na duvida e os autoanticorpos vieram negativos? peptideo C pode ajudar. Adulto com anticorpo positivo e sem insulina por meses? lembre de LADA. O examinador adora trocar “quando necessario” por “rotineiramente” para ver se voce cai no truque.