A colecistite aguda é uma das principais complicações da colecistopatia calculosa, acometendo até 20% dos pacientes sintomáticos portadores dessa patologia. A correta avaliação do quadro clínico e a adequada interpretação de exames laboratoriais e de imagem são fundamentais para um diagnóstico precoce, bem como um tratamento preciso. De acordo com os Guidelines de Tokyo (2018),são considerados critérios diagnósticos de colecistite aguda, EXCETO:
- A)Febre.
Correta como critério clínico, pois febre é sinal sistêmico de inflamação nos Guidelines de Tokyo.
- B)Icterícia.
Errada, porque icterícia não faz parte dos critérios diagnósticos de colecistite aguda e sugere mais acometimento de via biliar principal.
- C)Leucocitose.
Correta como critério laboratorial, já que leucocitose integra os sinais sistêmicos de inflamação.
- D)Presença do Sinal de Murphy.
Correta como critério clínico, pois o sinal de Murphy é achado local típico de colecistite aguda.
- E)Elevação da proteína C reativa.
Correta como critério laboratorial, porque a elevação da proteína C reativa faz parte dos marcadores inflamatórios.
Gabarito: B
Na colecistite aguda, os Guidelines de Tokyo (2018) organizam o diagnóstico em 3 blocos: sinais locais de inflamação, sinais sistêmicos de inflamação e achados de imagem. Na prática, isso quer dizer que febre, leucocitose, proteína C reativa elevada e sinal de Murphy entram no radar com facilidade. Quando a clínica e a imagem conversam, o diagnóstico fica bem mais seguro. Os sinais locais incluem dor ou sensibilidade no hipocôndrio direito e o sinal de Murphy. Já os sinais sistêmicos incluem febre, leucocitose e aumento da PCR. A ultrassonografia costuma ajudar muito, mostrando vesícula distendida, parede espessada, líquido pericolecístico ou cálculo impactado. A pegadinha da questão está em uma manifestação que pode aparecer em doença biliar, mas não faz parte dos critérios diagnósticos clássicos de colecistite aguda pelos Guidelines de Tokyo. Icterícia aponta mais para obstrução de via biliar principal, como na colangite, do que para colecistite isolada. Então, se a banca pede o EXCETO, pense: febre, leucocitose, Murphy e PCR elevada combinam com colecistite aguda; icterícia é que foge desse pacote. É um detalhe pequeno, mas que derruba muita gente.