Paciente, sexo feminino, 23 anos, sem comorbidades, comparece à consulta ambulatorial por dor pélvica há dois dias. Refere intensidade progressiva, piora à noite, sensação de febre no dia anterior; porém, não aferida. Data da última menstruação: há duas semanas. Método contraceptivo: injetável mensal, última aplicação há duas semanas. Nega uso de outras medicações. Ao exame físico: BEG; normocorada; hidratada; TAX 37,8° C; PA: 100 x 70 mmHg; FC 90 bpm. Abdômen plano, normotenso, dolorido à palpação de fossa ilíaca direita. Sem massas palpáveis. Especular: vagina sem lesões, colo epitelizado, sem lesões. Presença de secreção vaginal em moderada quantidade, com odor fétido. Toque vaginal: colo móvel, doloroso à mobilização, dor à palpação de fundo de saco. Diante do caso hipotético, assinale a afirmativa correta.
- A)Esta afecção é de notificação compulsória.
Errada, porque DIP não é, em regra, agravo de notificação compulsória no Brasil.
- B)O tratamento pode ser feito com ceftriaxona, doxiciclina e metronizadol.
Certa, pois o esquema com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol cobre gonococo, clamídia e anaeróbios, sendo um tratamento clássico para DIP ambulatorial.
- C)É preciso realizar uma ultrassonografia de abdômen e pelve para confirmação diagnóstica.
Errada, porque o diagnóstico de DIP é principalmente clínico e a ultrassonografia pode ajudar em casos selecionados, mas não é obrigatória para confirmar.
- D)Como há suspeita de gestação ectópica, a paciente deverá ser encaminhada à maternidade de referência antes que se institua tratamento.
Errada, porque a suspeita clínica favorece DIP, e o tratamento não deve ser adiado para encaminhamento por hipótese de gestação ectópica sem sinais hemodinâmicos ou teste positivo informado.
Gabarito: B
O quadro sugere doença inflamatória pélvica (DIP): dor pélvica, secreção vaginal com odor fétido, febre baixa, dor à mobilização do colo e dor em fundo de saco são achados bem clássicos. Na prática, a suspeita clínica já basta para iniciar tratamento, sem ficar esperando exame “perfeito”, porque atrasar antibiótico aumenta risco de complicações como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. O raciocínio aqui é bem de concurso: se a paciente tem dor pélvica + exame ginecológico compatível, você pensa em DIP antes de pensar em diagnósticos mais raros e dramáticos.