Paciente, sexo feminino, 55 anos, apresenta episódios frequentes de melena nos últimos dois meses. Tem antecedente de cirrose hepática alcoólica; já foi submetida a tratamentos endoscópicos prévios em varizes gastroesofágicas. Procura atendimento ambulatorial, buscando informações sobre o uso da ecoendoscopia na tentativa de otimizar o seu tratamento atual. De acordo com as orientações do II Consenso Brasileiro de Ecoendoscopia para tal paciente, é INCORRETO afirmar que:
- A)A ecoendoscopia é útil na avaliação da erradicação das varizes gástricas em caso de dúvida.
Correta, porque a ecoendoscopia pode ser usada para avaliar se a erradicação das varizes gástricas foi realmente completa quando há dúvida na endoscopia convencional.
- B)O tratamento ecoendoscópico de varizes isoladas de fundo gástrico, através da combinação de cianoacrilato e coil, é uma opção na falha do tratamento endoscópico convencional.
Correta, pois a combinação de cianoacrilato e coil guiada por ecoendoscopia é opção terapêutica nas varizes isoladas de fundo gástrico quando o tratamento endoscópico convencional falha.
- C)O tratamento ecoendoscópico das varizes de fundo gástrico apresenta melhor eficácia do que o tratamento convencional; porém, com uma maior taxa de complicações, especialmente embolia pulmonar.
Errada, porque a ecoendoscopia tende a aumentar a eficácia do tratamento e não a elevar, de forma geral, as complicações em relação à técnica convencional; a frase inverte o benefício e exagera o risco.
- D)O tratamento ecoendoscópico de varizes gastroesofágicas que se estendem para o fundo gástrico, através da combinação de cianoacrilato e coil, é uma opção na falha do tratamento endoscópico convencional.
Correta, já que varizes gastroesofágicas com extensão para o fundo gástrico podem ser tratadas por ecoendoscopia com cianoacrilato e coil, especialmente após insucesso do tratamento convencional.
Gabarito: C
A ecoendoscopia (EUS) ganhou espaço no manejo das varizes gástricas porque ajuda a enxergar melhor o fluxo vascular, confirmar se a variz realmente foi erradicada e guiar terapias mais precisas, como a injeção de cianoacrilato com coil. Isso é especialmente útil quando o tratamento endoscópico convencional falha ou quando há varizes difíceis, como as do fundo gástrico e as que se estendem a partir das varizes gastroesofágicas. Em paciente cirrótica com sangramento recorrente, a ideia da EUS não é só “ver melhor”, mas tratar de forma mais seletiva e com maior chance de sucesso local. O ponto-chave da questão é que a afirmação errada é a de que o tratamento ecoendoscópico de varizes de fundo gástrico tem maior eficácia do que o convencional, mas com mais complicações, especialmente embolia pulmonar. Na prática, os estudos e consensos apontam melhora de eficácia e, em geral, menor taxa de complicações em comparação com a técnica convencional, razão pela qual a ecoendoscopia vem sendo valorizada no II Consenso Brasileiro de Ecoendoscopia.