Lactente, um ano e seis meses, é admitido em enfermaria de pediatria com diagnóstico de hematomas a esclarecer. Paciente previamente hígido, aleitamento materno por dois meses, iniciou leite de vaca aos dois meses e aos seis meses iniciou introdução alimentar, com dieta rica em alimentos ultraprocessados. Paciente vem apresentando há cerca de dois meses adinamia, associado a dor a manipulação de membros, permanecendo, muitas vezes, em posição antálgica. Há cerca de um mês vem apresentando sangramento gengival; há dois dias iniciou equimoses em corpo. Diante do caso hipotético e da principal hipótese diagnóstica, o melhor tratamento para tal paciente é:
- A)Quimioterapia.
Quimioterapia é indicada para neoplasias, e não para um quadro típico de deficiência de vitamina C com sangramento gengival e equimoses.
- B)Imunoglobulina.
Imunoglobulina pode ser usada em doenças imunomediadas, como púrpura trombocitopênica imune, mas não corrige o escorbuto.
- C)Ferro endovenoso.
Ferro endovenoso trata deficiência de ferro, porém não explica nem resolve gengivorragia, hematomas e dor óssea por deficiência de vitamina C.
- D)Administração de ácido ascórbico.
Correta: ácido ascórbico repõe a vitamina C e trata o escorbuto, que cursa com fragilidade capilar, sangramentos e dor musculoesquelética.
Gabarito: D
O quadro descrito aponta para escorbuto, que é deficiência de vitamina C. Em lactentes com alimentação pobre em frutas, verduras e alimentos frescos, especialmente quando há excesso de ultraprocessados, pode surgir fraqueza, dor óssea, irritabilidade, sangramento gengival, equimoses e recusa de mobilização por dor. Em pediatria, esse diagnóstico costuma assustar porque imita até doença hematológica ou reumatológica, mas a história alimentar entrega o jogo. A vitamina C é essencial para a síntese de colágeno. Sem colágeno bem formado, os vasos ficam frágeis, a gengiva sangra, aparecem hematomas com facilidade e a dor em membros pode ser intensa. O lactente do enunciado tem exatamente essa combinação: adinamia, dor à manipulação, posição antálgica, sangramento gengival e equimoses, o que é bem típico de escorbuto infantil. Por isso, o melhor tratamento é a administração de ácido ascórbico. A reposição costuma trazer melhora clínica rápida, inclusive da dor e do sangramento, além de corrigir a deficiência nutricional de base. Depois disso, o cuidado não é só “dar a vitamina”, mas também ajustar a alimentação para evitar recaída. As outras opções não tratam o problema de origem. Aqui não é cenário de neoplasia, nem de trombocitopenia imune, nem de anemia ferropriva isolada. O alvo é uma hipovitaminose clássica, antiga de guerra e ainda viva em crianças com dieta muito restrita.