O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das mais graves complicações da doença falciforme, sendo uma causa significativa de morbimortalidade. A base fisiopatológica para ocorrência do AVC ainda não se encontra completamente elucidada, estando provavelmente implicados múltiplos fatores. (Anemia Falciforme – Hidroxiureia e Prevenção Primária de Avc – Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular – ABHH, 2018.) De acordo com as recomendações da ABHH, o melhor fator preditivo para a ocorrência de um AVC em pacientes com diagnóstico de anemia falciforme pode ser avaliado através de:
- A)Doppler transcraniano.
Certa, porque o Doppler transcraniano é o exame com melhor valor preditivo para AVC na anemia falciforme.
- B)Hemograma com plaquetas.
Errada, porque hemograma e plaquetas ajudam na avaliação hematológica geral, mas não predizem AVC de forma específica.
- C)Eletroforese de hemoglobina.
Errada, porque a eletroforese confirma o diagnóstico e o perfil de hemoglobina, mas não estratifica risco de AVC.
- D)Doppler cervical de carótidas e vertebrais.
Errada, porque o Doppler de carótidas e vertebrais avalia vasos cervicais, não sendo o melhor marcador de risco cerebrovascular na doença falciforme.
Gabarito: A
Na doença falciforme, o AVC é uma complicação temida porque a circulação cerebral pode sofrer com vasculopatia, anemia crônica e alterações do fluxo sanguíneo. Entre os exames usados na prática, o que melhor ajuda a prever risco de AVC em crianças e adolescentes com anemia falciforme é o Doppler transcraniano, que mede a velocidade do sangue nas artérias cerebrais. Quando essa velocidade está aumentada, o vaso costuma estar mais estreito e o risco de AVC sobe bastante. Por isso, a ABHH recomenda o Doppler transcraniano como principal ferramenta de rastreio e estratificação de risco. Ele é simples, não invasivo e tem valor preditivo bem estabelecido para AVC na doença falciforme. Na rotina, é um exame que “enxerga o perigo antes do desastre”, o que muda a conduta e permite prevenção. As outras alternativas até podem fazer parte da avaliação geral do paciente, mas não são o melhor preditor de AVC. Hemograma mostra anemia e plaquetas, eletroforese confirma o tipo de hemoglobina, e Doppler cervical avalia carótidas e vertebrais, mas o problema clássico na anemia falciforme está na circulação intracraniana. É por isso que o gabarito é a alternativa A. Em termos de recomendação técnica, o ponto central é a prevenção primária do AVC em pacientes falciformes com uso do Doppler transcraniano para identificar quem precisa de seguimento mais intenso e, em muitos casos, intervenção preventiva.