Mulher, 28 anos, procura o atendimento médico devido à forte dor lombar, iniciada há 24 horas, associado a náuseas e vômitos; refere presença de febre não aferida, queixa-se de disúria. Refere, ainda, ter história pregressa de nefrolitíase, nega outras comorbidades. Ao exame: paciente vigíl; pupilas isocóricas; ausculta cardíaca com ritmo cardíaca regular; bulhas normofonéticas e sem a presença de sopros; ausculta pulmonar: murmúrio vesicular presente, ausência de ruídos adventícios, abdômen flácido, doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca direita, descompressão brusca negativa, Giordano negativo; membros inferiores: ausência de sinais de trombose venosa profunda, sem edemas bilateralmente. PA 90 x 60 mmHg; FC 108 bpm; FR 24 ipm; temperatura axilar 36,9° C; saturação de O2 95 % em aa; tempo de enchimento lentificado. Considerando o caso hipotético, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) Tendo em vista que a paciente apresenta sinal de Giordano negativo, exclui-se a hipótese de doença do trato urinário, considerada como principal hipótese apendicite aguda não complicada pela presença da dor em fossa ilíaca direita. ( ) O exame padrão-ouro para a confirmação da nefrolitíase é a tomografia de abdômen e pelve contrastada. ( ) O tratamento adequado para a paciente consiste no uso de anti-inflamatório por 3 a 5 dias, associado à terapia expulsora com um bloqueador alfa-1, como a doxazosina. Pode ser feita, também, a analgesia com opioides por via oral. A sequência está correta em
- A)V, V, V.
Errada, porque as três afirmativas são falsas no contexto clínico e de propedêutica da nefrolitíase.
- B)F, V, F.
Errada, porque a primeira e a terceira afirmativas não se sustentam, além de o exame padrão-ouro não ser o descrito.
- C)F, F, F.
Certa, pois as três assertivas contêm erro conceitual ou excesso de simplificação.
- D)V, F, V.
Errada, porque a primeira afirmativa não é verdadeira e a segunda também está incorreta.
Gabarito: C
Esse caso mistura dor lombar, náuseas, vômitos, disúria e antecedente de nefrolitíase, então a primeira suspeita costuma mesmo cair sobre cólica renal ou infecção urinária alta. Só que, em prova, a banca adora lembrar que exame físico isolado não fecha diagnóstico: sinal de Giordano negativo não exclui doença urinária. Além disso, dor em fossa ilíaca direita pode confundir com apendicite, mas isso não transforma a apendicite em principal hipótese automaticamente. Na nefrolitíase, o exame de imagem mais usado para confirmar é a tomografia de abdômen e pelve sem contraste, porque ela detecta cálculo com alta sensibilidade e também mostra sinais de obstrução. Tomografia contrastada não é o padrão-ouro para o cálculo ureteral na prática habitual. Aqui vale a lógica de prova: cálculo precisa aparecer bem, e contraste pode até atrapalhar essa visualização em alguns cenários. Quanto ao tratamento, ele depende do tamanho, localização, dor, obstrução e sinais de infecção. Em casos selecionados, usam-se anti-inflamatórios, hidratação, analgesia e terapia expulsiva com bloqueador alfa-1, mas isso não é receita automática para qualquer paciente com dor lombar. Se houver instabilidade, vômitos importantes, obstrução infectada ou dúvida diagnóstica relevante, o cenário muda e a prioridade passa a ser avaliação mais cuidadosa e conduta hospitalar. Por isso o gabarito ser C faz sentido: as três afirmativas trazem exageros ou imprecisões. A banca quer que voce identifique que uma pista clínica isolada não exclui a hipótese urinária, que o exame de escolha para nefrolitíase não é com contraste e que o manejo proposto foi descrito de forma simplificada demais para o quadro apresentado.