A imunofenotipagem por citometria de fluxo é um exame de alta complexidade, fundamental para o diagnóstico das doenças onco-hematológicas. O conjunto de testes imunofenotípicos e genético-moleculares consolidam o diagnóstico de diversos subtipos de leucemias e podem auxiliar na escolha dos regimes terapêuticos. Considerando as recomendações da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, sobre a imunofenotipagem por citometria de fluxo multiparamétrica, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)É útil para avaliar o prognóstico e seguir a resposta do tratamento.
Certa, porque a citometria de fluxo ajuda no acompanhamento da resposta ao tratamento e na avaliação prognóstica em várias neoplasias hematológicas.
- B)É considerada o método padrão-ouro para o diagnóstico das síndromes mielodisplásicas.
Errada, porque síndromes mielodisplásicas não têm a imunofenotipagem como padrão-ouro diagnóstico; o diagnóstico depende sobretudo de morfologia, citogenética e testes moleculares.
- C)Permite analisar a expressão antigênica de células hemopoiéticas relacionadas à linhagem e ao grau de maturação em hematopoiese normal e anormal.
Certa, porque o exame identifica marcadores de linhagem e de maturação, distinguindo hematopoiese normal da anormal.
- D)A imunofenotipagem de células da medula óssea é capaz de detectar várias anormalidades de maturação nas linhagens mielomonocítica e eritroblástica, bem como dos progenitores mieloides e linfoides.
Certa, porque a imunofenotipagem medular detecta alterações de maturação em linhagens mielomonocítica, eritroblástica e em progenitores mieloides e linfoides.
Gabarito: B
A imunofenotipagem por citometria de fluxo é uma ferramenta muito útil na Hematologia porque permite identificar marcadores de superfície e do interior das células, ajudando a reconhecer a linhagem, o grau de maturação e possíveis desvios do padrão normal. Na prática, ela é muito valiosa no estudo das leucemias e de outras neoplasias hematológicas, especialmente quando se quer confirmar a população celular doente e acompanhar a doença ao longo do tempo. Ela também tem papel importante no prognóstico e na avaliação da resposta terapêutica, inclusive para detectar doença residual mínima em alguns cenários. Ou seja: não serve só para dar nome ao problema, mas também para mostrar se o tratamento está funcionando. Bem mais útil do que parece à primeira vista. A alternativa incorreta é a B porque a imunofenotipagem por citometria de fluxo não é o método padrão-ouro para diagnosticar síndromes mielodisplásicas. O diagnóstico dessas síndromes é baseado principalmente na avaliação morfológica da medula óssea e do sangue periférico, associada a dados citogenéticos e moleculares, conforme a abordagem recomendada em hematologia. A citometria pode ajudar, mas funciona como exame complementar, não como exame definitivo isolado. As demais afirmativas estão alinhadas com a utilidade real do método: ele analisa a expressão antigênica conforme a linhagem e maturação, e consegue detectar alterações de maturação em diferentes séries celulares, especialmente na medula óssea.