As fraturas do colo femoral, embora comuns no dia a dia, podem evidenciar dificuldades no seu manejo e resultados não satisfatórios em função da sua anatomia, das forças biomecânicas no local e do suprimento sanguíneo deficitário. De acordo com as orientações da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, sobre avaliação e tratamento de pacientes com fratura do colo femoral, assinale a afirmativa correta.
- A)Os parafusos canulados levam a uma maior estabilidade da fratura.
Errada, porque os parafusos canulados são usados na fixação, mas não são sinônimo de maior estabilidade em qualquer cenário, já que isso depende do padrão da fratura e da qualidade da redução.
- B)O tratamento de escolha nas fraturas deslocadas ou instáveis é a fixação in situ.
Errada, porque fraturas deslocadas ou instáveis geralmente não têm como tratamento de escolha a fixação in situ, exigindo estratégia mais adequada ao desvio e à estabilidade.
- C)A classificação de Garden se baseia na orientação da linha de fratura e seu grau de verticalidade com relação à horizontal da pelve.
Errada, porque a classificação de Garden não se baseia na verticalidade da linha de fratura, mas no grau de desvio e no alinhamento das trabéculas.
- D)Nas lesões instáveis deve ser utilizado, nomínimo,três parafusos,fixados na região do calcar, colocados perpendicularmente ao traço de fratura (parafuso em valgo).
Errada, porque a descrição confunde princípios de osteossíntese e posicionamento dos parafusos; além disso, a formulação não corresponde à orientação clássica recomendada para todas as lesões instáveis.
- E)A redução pode ser avaliada pelos índices de Garden, cujo alinhamento normal das trabéculas da cabeça femoral e cortical medial faz um ângulo próximo de 160° na radiografia em ântero-posterior e de 180° com a diáfise no perfil.
Certa, porque o índice de Garden avalia o alinhamento das trabéculas da cabeça femoral e da cortical medial, com ângulos próximos de 160° na AP e 180° no perfil quando a redução está adequada.
Gabarito: E
As fraturas do colo femoral exigem atenção porque o osso ali tem um suprimento sanguíneo mais frágil e a biomecânica da região não ajuda muito. Por isso, a avaliação da redução é muito importante: não basta “encostar” os fragmentos, é preciso ver se o alinhamento ficou anatômico nas radiografias. Um dos jeitos clássicos de conferir isso é pelo índice de Garden, que observa a continuidade das trabéculas da cabeça femoral com a cortical medial do colo em incidências ortogonais. Na prática, quando a redução está boa, a linha de carga da cabeça femoral fica preservada, com o alinhamento trabecular esperado. Na radiografia em ântero-posterior, esse alinhamento normal faz um ângulo próximo de 160°; no perfil, a relação com a diáfise é de cerca de 180°. É exatamente isso que a alternativa E descreve, por isso ela está correta. As demais opções misturam conceitos de fixação e classificação. Em fratura do colo femoral, o ponto não é decorar só o nome do implante, mas entender que o tipo de desvio e a estabilidade mudam a conduta. A classificação de Garden, por sua vez, não se baseia na verticalidade do traço, e sim no grau de desvio da fratura e no alinhamento dos fragmentos. Resumo de prova: Garden ajuda a classificar e a avaliar redução; ângulo/trabéculas importam; e quando a banca tentar trocar anatomia por mecânica “de improviso”, desconfie. Aqui, a alternativa E traduziu corretamente o conceito clássico descrito na ortopedia.