Em um ambulatório de ultrassonografia foi realizado estudo dopplerfluxométrico das artérias carótidas e vertebrais de um paciente, sendo constatada uma “incisura mesossistólica” na análise espectral da artéria vertebral esquerda. O achado se refere à estenose
- A)distal da artéria vertebral esquerda.
Errada: estenose distal da vertebral não explica a incisura mesossistólica por mecanismo de roubo proximal.
- B)da artéria carótida interna esquerda.
Errada: a carótida interna não é a origem hemodinâmica desse padrão na artéria vertebral.
- C)proximal da artéria subclávia esquerda.
Certa: a estenose proximal da subclávia esquerda pode causar roubo subclávio e incisura mesossistólica na vertebral esquerda.
- D)proximal da artéria carótica comum esquerda.
Errada: a carótida comum esquerda não é a lesão típica associada a esse achado Doppler na vertebral.
Gabarito: C
A “incisura mesossistólica” no Doppler da artéria vertebral é um achado clássico de roubo de subclávia, quando existe estenose proximal da artéria subclávia. O sangue passa a ter dificuldade para chegar ao membro superior, e a vertebral do mesmo lado começa a ajudar na irrigação, o que altera o traçado espectral. É como se a artéria fizesse um desvio para resolver um aperto na rede principal. Na prática, esse padrão surge antes mesmo do fluxo inverter totalmente, aparecendo como uma queda ou entalhe no meio da sístole. Quanto maior a obstrução proximal, maior a repercussão hemodinâmica na vertebral ipsilateral. Por isso, o exame não está “acusando” uma doença da própria vertebral, e sim um problema a montante, na subclávia. A alternativa C está correta porque a artéria vertebral esquerda nasce da subclávia esquerda. Se há estenose proximal nessa subclávia, o traçado Doppler da vertebral esquerda pode mostrar a incisura mesossistólica, sinalizando o fenômeno de subclavian steal. Esse é um conceito bem cobrado em Doppler vascular e angiologia, sem precisar de malabarismo extra. As demais alternativas tentam empurrar você para locais errados do eixo carotídeo, mas o achado na vertebral aponta para lesão proximal no circuito que lhe dá origem. Em resumo: achado na vertebral, pense em subclávia antes de pensar em carótida.