Paciente, sexo masculino, 28 anos, apresenta surdez unilateral desde os dois anos de idade como sequela de uma neurocirurgia, não tendo feito uso de nenhum método de reabilitação auditiva. Além disso, ele é classificado como de alto risco cirúrgico devido a condições médicas subjacentes. Relata dificuldade em participar de conversas em ambientes barulhentos; localizar a fonte sonora; e, perceber sons do lado esquerdo. A audiometria confirma surdez profunda no ouvido esquerdo e audição normal no ouvido direito. Com base no caso clínico apresentado, assinale a protetização auditiva mais adequada para tal paciente, considerando suas necessidades auditivas específicas.
- A)Implante coclear no ouvido esquerdo.
Implante coclear é uma opção de reabilitação para perdas severas/profundas, mas aqui a cirurgia é desfavorável pelo alto risco cirúrgico e pelo perfil funcional descrito.
- B)Prótese osteoancorada no ouvido esquerdo.
A prótese osteoancorada pode ser usada em alguns casos de perda unilateral, mas a resposta clássica para surdez unilateral com ouvido contralateral normal é o sistema CROS.
- C)Aparelho de amplificação sonora individual no ouvido esquerdo.
AASI no ouvido esquerdo não resolve uma surdez profunda sem audição útil, porque não há reserva auditiva suficiente para amplificação eficaz.
- D)Prótese CROS (Contralateral Routing of Signal) no ouvido esquerdo.
Correta, pois o sistema CROS capta o som do lado surdo e o envia ao ouvido contralateral normal, melhorando a percepção de sons vindos do lado esquerdo.
- E)Prótese BICROS (Bilateral Contralateral Routing of Signal) com aparelho auditivo de amplificação no ouvido direito.
O BICROS é indicado quando o ouvido contralateral também tem perda auditiva e precisa de amplificação, o que não ocorre neste caso.
Gabarito: D
O caso descreve uma surdez unilateral profunda, antiga e sem reabilitação prévia, com audição normal no outro ouvido. Nessa situação, o problema principal não é “aumentar” a audição do lado ruim, mas ajudar o paciente a captar sons que chegam por esse lado e levá-los ao ouvido melhor. É exatamente aí que entram as soluções do tipo CROS e BICROS. A prótese CROS capta o som no lado com surdez e o transmite para o ouvido com audição preservada, permitindo que o paciente perceba sons vindos do lado afetado. Isso melhora a comunicação em ambientes com ruído e reduz a sensação de “estar surdo de um lado”, embora não recupere audição binaural verdadeira nem localizacao sonora perfeita. Em pacientes com um ouvido bom e outro sem audição útil, ela costuma ser a melhor opção não cirúrgica. Já o implante coclear exige, em regra, indicação bem selecionada e cirurgia, além de maior benefício esperado quando há potencial de reabilitação auditiva no ouvido implantado. Como o paciente é de alto risco cirúrgico, essa via fica desfavorecida. Aparelho convencional no ouvido surdo também não ajuda quando há surdez profunda, porque não existe audição residual funcional para amplificação eficaz. Por isso, o gabarito é a letra D. A lógica é simples e elegante: se o ouvido esquerdo não ouve, mas o direito ouve bem, você “manda” o som do lado esquerdo para o ouvido direito. É a solução clássica para surdez unilateral profunda com ouvido contralateral normal.