Mulher, jovem, procura o pronto-socorro devido a quadro de diminuição da acuidade visual direita, associado à dor a movimentação ocular e diplopia; refere, também, fadiga, espasticidade em MMII e fraqueza em MMSS há um mês com períodos de melhora. Nota-se ao exame neurológico: hiperreflexia e ataxia. Realizada coleta de líquor que apresentou discreta pleocitose e proteinorraquia; RNM revelou focos de aumento de sinal em T2 com distribuição periventricular. Com base no provável diagnóstico da paciente, assinale o tratamento indicado.
- A)Plasmaférese.
Plasmaférese pode ser usada em surtos graves ou quando há falha ao corticoide, mas não é a primeira escolha no quadro descrito.
- B)Natalizumabe EV.
Natalizumabe é terapia modificadora da doença para prevenção de recaídas, não tratamento de escolha do surto agudo.
- C)Imunoglobulina EV.
Imunoglobulina EV não é conduta padrão para esclerose múltipla em crise e tem papel bem mais limitado nesse contexto.
- D)Pulsoterapia com metilprednisolona.
Correta: a esclerose múltipla em surto deve ser tratada com pulsoterapia com metilprednisolona em alta dose.
Gabarito: D
O quadro descreve esclerose múltipla em surto: mulher jovem, sintomas neurológicos disseminados no tempo e no espaço, neurite óptica (queda da acuidade visual com dor ao mover o olho), diplopia, sinais piramidais, ataxia e lesões periventriculares na RM. O líquor com discreta pleocitose e proteinorraquia também combina com inflamação do SNC, embora o achado mais lembrado seja a presença de bandas oligoclonais, quando pesquisadas. Na esclerose múltipla, o tratamento do surto agudo é feito com corticoide em alta dose, porque ele reduz a inflamação e acelera a recuperação do déficit neurológico. O esquema clássico é metilprednisolona endovenosa em pulsoterapia. Em surtos graves ou refratários, aí sim pode-se considerar plasmaférese como resgate. Imunoglobulina e natalizumabe não são a conduta de primeira linha para a crise aguda típica. Então, a chave da questão está em reconhecer que a paciente está em uma exacerbação aguda da doença desmielinizante. O objetivo imediato não é começar terapia modificadora de longo prazo, mas tratar o surto atual. Por isso, o gabarito é a pulsoterapia com metilprednisolona. Em prova, sempre pense assim: neurite óptica + sinais neurológicos multifocais + lesões periventriculares em T2 = esclerose múltipla até prova em contrário. E, se a pergunta for sobre crise aguda, lembre do corticoide em alta dose, que é o velho conhecido que salva a banca e a clínica.