As neoplasias mieloproliferativas constituem um grupo de doenças clonais das células progenitoras hematológicas, que afetam uma ou mais linhagens mieloides. A avaliação ideal da medula óssea requer a integração das informações obtidas pelo aspirado e biópsia de medula óssea, mas também da avaliação do sangue periférico. A biópsia de medula óssea oferece uma análise da celularidade, organização topográfica dos diferentes elementos celulares, além de alterações do estroma e morfológicas. Sobre o sistema de gradação de fibrose medular semiquantitativo, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A densidade das fibras deve ser mensurada somente em áreas com hematopoiese.
Certa, porque a densidade das fibras deve ser avaliada nas áreas com hematopoiese, onde a leitura histológica é mais fidedigna.
- B)O achado de fibras reticulínicas lineares esparsas, sem interseções, corresponde ao grau 1.
Errada, porque o grau 1 não é definido apenas por fibras lineares esparsas sem interseções; já há aumento discreto e difuso da reticulina com padrão mais característico.
- C)Se o padrão for heterogêneo, a gradação final é determinada pelo maior grau presente em mais de 30% da área medular
Certa, pois em padrão heterogêneo a graduação final considera o maior grau presente de forma significativa na medula, evitando subestimar a fibrose.
- D)No grau mais avançado encontra-se aumento difuso e denso da rede reticulínica, com vastas intersecções e feixes grosseiros de fibras espessas consistentes com colágeno, habitualmente associadas à osteoesclerose.
Certa, porque descreve o estágio mais avançado da fibrose, com rede reticulínica densa, feixes de colágeno e associação frequente com osteoesclerose.
Gabarito: B
A gradação da fibrose medular é feita na biópsia com avaliação da rede de reticulina e, nos graus mais avançados, do colágeno. Em geral, a leitura considera a intensidade e o padrão das fibras, sempre nas áreas com hematopoiese, porque áreas puramente adiposas ou muito alteradas podem distorcer a análise. Quando a fibrose aumenta, a rede reticulínica deixa de ser discreta e passa a ficar mais densa, com interseções mais numerosas e, no estágio final, pode haver feixes de colágeno e até osteoesclerose. O ponto-chave da questão é que a descrição do grau 1 não corresponde a "fibras reticulínicas lineares esparsas, sem interseções". Esse padrão é mais compatível com ausência de fibrose relevante ou com discreto aumento inicial, dependendo da classificação usada. Na classificação semiquantitativa clássica da OMS/European consensus para neoplasias mieloproliferativas, o grau 1 já sugere aumento discreto e difuso de reticulina com raras interseções, não apenas linhas esparsas isoladas. Nos graus mais altos, a rede fica progressivamente mais grossa e organizada em malha densa, com interseções amplas e, depois, fibras espessas de colágeno, quadro que costuma vir acompanhado de osteoesclerose. Por isso, a alternativa B escorrega no detalhe do grau 1 e vira a incorreta da vez. Em prova, a banca adora trocar uma palavra pequena, mas o impacto é grande. Se você guardar a ideia de progressão - discreta reticulina, depois rede mais densa, depois colágeno e osteoesclerose - já resolve boa parte das questões sobre fibrose medular.