Paciente, 56 anos, sexo feminino, nuligesta, comparece ao pronto atendimento com dor abdominal de início há 60 minutos. Refere dor 7/10; localizada em abdômen superior; inicada após alimentação gordurosa. Nega febre e adinamia. Comorbidades: Hipertrigliceridemia (em uso de ciprofibrato); Hipertensão arterial sistêmica (em uso de Losartana e Hidroclorotiazida); e, Lúpus Eritematoso Sistêmico (em uso de hidroxicloroquina). Passado de cirurgia bariátrica há um ano. Em uso de terapia de reposição hormonal com estrogênio e progesterona transdérmicos. Ao exame físico: REG; normocorada; hidratada; fáceis de dor. PA 140 x 90 mmHg / FC 120 bpm / TAx 37,4° C. abdômen: plano, normotenso, sinal de Murphy positivo. Exames complementares: HB 13,5 g/dL / HT 34% / LEUCO 17.076/μL com desvio à esquerda / PCR 120 / Plaquetas 150.000 / mm³ / Creatinina 1,2 mg/dL / Ureia 14 mg/dL. De acordo com o caso hipotético, quais fatores de risco corroboram com a principal hipótese diagnóstica?
- A)Nuliparidade; lúpus eritematoso sistêmico; e, sexo feminino.
Errada, porque nuliparidade não é o principal fator apontado aqui e lúpus, por si só, não é o conjunto de riscos mais típico para colelitíase neste caso.
- B)Hipertrigliceridemia; pós-bariátrica; e, uso de terapia hormonal.
Certa, pois hipertrigliceridemia, cirurgia bariátrica prévia e terapia hormonal com estrogênio aumentam o risco de formação de cálculos biliares.
- C)Hipertrigliceridemia; sexo feminino; e, uso de hidroxicloroquina.
Errada, porque hidroxicloroquina não é fator clássico de risco para colelitíase, embora sexo feminino e hipertrigliceridemia sejam relevantes.
- D)Hipertensão arterial; uso de terapia hormonal; e, lúpus eritematoso sistêmico.
Errada, porque hipertensão arterial e lúpus não são os fatores mais diretos para a hipótese principal; o foco aqui é a formação de cálculos biliares.
Gabarito: B
O quadro sugere colecistite aguda por litíase biliar: dor em abdômen superior após refeição gordurosa, sinal de Murphy positivo e resposta inflamatória (leucocitose e PCR elevada) são bem típicos. Na prática, o raciocínio é simples: a vesícula costuma reclamar justamente quando um cálculo obstrui o fluxo biliar e a digestão de gordura entra em cena como gatilho. Quando a questão pergunta fatores de risco, ela quer saber o que aumenta a chance de formar cálculos biliares. Entre os clássicos estão sexo feminino, terapia estrogênica, perda ponderal rápida, cirurgia bariátrica, obesidade e alterações metabólicas como hipertrigliceridemia. Ou seja, o terreno da paciente está todo montado para pedra na vesícula fazer carreira. Por isso, o gabarito B é o melhor: hipertrigliceridemia, pós-bariátrica e uso de terapia hormonal. A cirurgia bariátrica favorece estase biliar e perda rápida de peso, e o estrogênio aumenta a litogenicidade da bile. Juntando os três, você tem um combo bem conhecido de risco para colelitíase e, consequentemente, colecistite. Resumo de prova: dor em hipocôndrio direito ou epigástrio após gordura + Murphy positivo = pense em vesícula; se a banca listar mulher, estrogênio, bariátrica ou emagrecimento rápido, acenda a luz amarela para cálculo biliar.