O comprometimento cognitivo leve amnéstico (CCLa) pode ocorrer como um pródromo para várias demências neurodegenerativas, bem como condições não neurodegenerativas. Portanto, a designação específica de CCLa devido à Doença de Alzheimer (DA) é empregada quando um biomarcador associado está presente no sujeito afetado. Dentre esses biomarcadores, os que marcam lesões ou degeneração neuronal são:
- A)Razão de Aβ42/Aβ40 (no líquor); Fluorodesoxiglicose (em PET); apagamento de fissuras de Sylvius (em RNM).
Errada, porque a razão Aβ42/Aβ40 é biomarcador de amiloide, e o apagamento de fissuras de Sylvius não é um marcador clássico de degeneração neuronal cobrado para DA.
- B)Proteínas Beta-amiloide (TAU e TAU fosforilada) (no líquor); Fluorodesoxiglicose (em PET); Atrofia do lobo temporal medial (em RNM).
Certa, porque tau total e tau fosforilada no líquor, FDG-PET e atrofia do lobo temporal medial são marcadores de lesão/degeneração neuronal.
- C)Redução da captação do traçador para proteína Beta-amiloide (no PET); Razão de Aβ42/Aβ40 (no líquor); Atrofia do lobo temporal medial (em RNM).
Errada, porque a redução da captação do traçador amiloide e a razão Aβ42/Aβ40 são biomarcadores de amiloide, não de neurodegeneração.
- D)Proteínas Beta-amiloide (TAU e TAU fosforilada) (no líquor); Redução da captação do traçador para proteína Beta-amiloide (no PET); Apagamento de fissuras de Sylvius(em RNM).
Errada, porque mistura biomarcadores de amiloide com um achado de RNM que não corresponde ao marcador clássico de degeneração neuronal pedido.
Gabarito: B
O comprometimento cognitivo leve amnéstico pode ser um aviso precoce da Doença de Alzheimer, mas nem todo CCLa vira demência por Alzheimer. Para aumentar a chance de acertar o rótulo de "CCLa devido à DA", a ideia é procurar biomarcadores que mostrem dois tipos de alteração: depósito de amiloide e lesão/degeneração neuronal. Quando a questão pede os biomarcadores que marcam lesão ou degeneração neuronal, você deve pensar em três clássicos: tau total e tau fosforilada no líquor, hipometabolismo temporoparietal na PET com fluorodesoxiglicose, e atrofia do lobo temporal medial na RNM. Eles apontam que o neurônio já está sofrendo, não apenas que existe proteína amiloide acumulada. Já os marcadores de amiloide são outros: redução da relação Aβ42/Aβ40 no líquor ou redução da captação do traçador amiloide na PET. Esses ajudam a mostrar a fisiopatologia da DA, mas não são os melhores exemplos de dano neuronal em si. A lógica é simples: amiloide sugere a doença; tau, hipometabolismo e atrofia mostram o estrago. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela reúne exatamente os marcadores de neurodegeneração cobrados pela questão, alinhados aos critérios biomarcadores usados na prática e em consensos diagnósticos da Doença de Alzheimer.