Os antidiabéticos orais são parte importante da terapêutica medicamentosa do Diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e exercem efeitos variados sobre a glicemia e o peso corporal em função de seus diferentes mecanismos de ação. Sobre os principais antidiabéticos orais utilizados no tratamento do DM2, assinale a afirmativa correta.
- A)A metformina age aumentando efeito periférico da insulina e, por isso, está associada ao aumento de peso corporal.
Errada: a metformina melhora a sensibilidade à insulina, mas não está associada a ganho de peso, e sim a peso neutro ou discreta redução.
- B)A clorpropamida é um secretagogo de meia-vida curta, estando bem indicada para controle da glicemia pós-prandial e com pouco risco de hipoglicemia.
Errada: a clorpropamida é uma sulfonilureia antiga, de longa duração, com maior risco de hipoglicemia, não sendo ideal para pico pós-prandial.
- C)Nos casos em que houver insuficiência cardíaca, as tiazolidinedionas (glitazonas) demostrarão maior benefício, devendo ser preferidas em relação à metformina, devido ao seu efeito diurético.
Errada: glitazonas podem piorar insuficiência cardíaca por retenção de líquido e não devem ser preferidas por suposto efeito diurético, que elas não têm.
- D)Empagliflozina é um inibidor do SGLT-2, o transportador de glicose no túbulo renal, e reduz a glicemia promovendo glicosúria. Possui menor risco de hipoglicemia e favorece perda de peso.
Certa: a empagliflozina bloqueia o SGLT-2 no rim, promove glicosúria, reduz a glicemia, tem baixo risco de hipoglicemia e favorece perda de peso.
Gabarito: D
No DM2, os antidiabéticos orais ajudam a baixar a glicemia por mecanismos bem diferentes, e isso costuma impactar também o peso e o risco de hipoglicemia. Em prova, vale lembrar a lógica: alguns aumentam a sensibilidade à insulina, outros estimulam a secreção pancreática e outros fazem o rim eliminar glicose. Cada grupo tem sua “personalidade” terapêutica. A metformina é a campeã inicial no DM2 porque reduz a produção hepática de glicose e melhora a sensibilidade periférica à insulina, mas não costuma causar ganho de peso; em geral, é neutra ou até favorece leve perda ponderal. Já sulfonilureias como a clorpropamida aumentam a secreção de insulina e têm risco de hipoglicemia, especialmente as mais antigas e de meia-vida longa, além de não serem boas para controle pós-prandial isolado. As tiazolidinedionas, como pioglitazona, melhoram a resistência à insulina, mas podem causar retenção hídrica e piorar insuficiência cardíaca, então não são preferidas nesse cenário. Elas não têm efeito diurético relevante, então essa justificativa da questão cai por terra rapidinho. A empagliflozina é um inibidor do SGLT-2 no túbulo proximal renal. Ao bloquear a reabsorção de glicose, aumenta a glicosúria, reduz a glicemia com baixo risco de hipoglicemia e ainda costuma ajudar na perda de peso. Por isso, a alternativa D está correta. Em linhas gerais, esse raciocínio é coerente com as diretrizes modernas de DM2, que valorizam o perfil metabólico e cardiovascular dos fármacos.