Paciente, 63 anos, sexo masculino, é trazido ao pronto-socorro pela equipe do SAMU após queda da própria altura há 30 minutos. Está acompanhado da esposa, que refere hipertensão de longa data, mal controlada. Exame físico de admissão: REG; confusão mental. PA 220 x 110 mmHg; FC 140 bpm; TEC <5s; lentificação de fala; paralisia de hemiface esquerda com apagamento de sulco labial; marcha atáxica. De acordo com a principal hipótese diagnóstica para o caso, qual é o primeiro sinal mais comumente visível em exame complementar que corrobora com tal diagnóstico?
- A)Atrofia do lobo temporal medial em RNM de crânio.
Errada: atrofia do lobo temporal medial sugere processo neurodegenerativo crônico, como doença de Alzheimer, não um déficit neurológico agudo.
- B)Hiperdensidade em território arterial em TC de crânio.
Certa: a hiperdensidade em território arterial na TC pode representar o sinal da artéria hiperdensa, achado precoce de AVC isquêmico.
- C)Sinal de massa em medula em RNM de coluna cervical.
Errada: sinal de massa em medula cervical aponta para compressão medular ou lesão expansiva, quadro diferente de AVC.
- D)Diminuição do volume parenquimatoso em TC de crânio.
Errada: diminuição do volume parenquimatoso indica atrofia cerebral, um achado crônico e inespecífico, não compatível com o quadro agudo.
Gabarito: B
O quadro descreve um AVC agudo, muito provavelmente isquêmico, pela instalação súbita de déficit neurológico focal: paralisia facial, alteração da fala, ataxia e rebaixamento do estado mental. Em prova, sempre pense primeiro em AVC quando o paciente chega com sintomas neurológicos novos, de início abrupto, ainda mais com hipertensão importante como fator de risco. Aqui, a queda parece consequência do evento neurológico, e não a causa principal do problema. No AVC isquêmico, a tomografia de crânio sem contraste é o exame inicial mais usado na urgência, principalmente para excluir hemorragia. No começo, a TC pode até vir normal, mas um dos primeiros achados que pode aparecer é o sinal da artéria hiperdensa, que representa trombo ou êmbolo obstruindo um vaso. Esse é justamente o tipo de pista que a banca costuma cobrar: o achado precoce que “denuncia” o infarto em formação. Por isso, a alternativa B está correta: a hiperdensidade em território arterial na TC de crânio é um sinal precoce compatível com AVC isquêmico. Em termos práticos, é o clássico "vaso tampado" aparecendo na imagem antes mesmo de muitas alterações do parênquima. Já as outras opções falam de achados crônicos ou de outra topografia, não do evento agudo descrito. Na abordagem clínica, vale lembrar: suspeitou de AVC, a conduta é imediata, porque tempo é cérebro. A imagem serve para definir o tipo de AVC e orientar o tratamento, e a TC sem contraste é o primeiro passo na sala de emergência.