As infecções oportunistas pulmonares constituem a principal causa de morbidade e mortalidade entre os indivíduos infectados pelo HIV. No Brasil, a tuberculose é a infecção mais frequente, sendo que cerca de 8% dos pacientes diagnosticados com tuberculose são coinfectados com o HIV. Sobre o tema, marque o item INCORRETO:
- A)A anamnese e o exame físico são o ponto de partida. A história completa desde a infecção pelo HIV, assim com o uso de terapia antirretroviral e profilaxias em uso são fundamentais. Ter conhecimento da contagem de células CD4+ pode auxiliar no diagnóstico.
Certa: anamnese, exame físico, uso de antirretrovirais, profilaxias e CD4+ são dados essenciais na avaliação do paciente com HIV e infecção pulmonar.
- B)As infecções bacterianas são tão comuns nos pacientes infectados pelo HIV, quanto na população em geral e a ocorrência de pneumonia recorrente é definidora de AIDS. O quadro clínico e os principais causadores – Streptococcus pneumoniae e Haemophilus species – são semelhantes aos observados em pacientes não imunossuprimidos.
Errada: as infecções bacterianas no HIV não são tão comuns quanto na população geral, embora pneumonia recorrente seja, de fato, condição definidora de AIDS.
- C)Tanto o exame clínico quanto o aspecto radiográfico serão semelhantes ao encontrado na pneumonia de pacientes não imunocomprometidos. Assim, a presença de condensação com aerobroncograma é achado frequente.
Certa: a pneumonia bacteriana no HIV costuma ter apresentação clínica e radiológica semelhante à da pneumonia comunitária, com consolidação e broncograma aéreo.
- D)Como os micro-organismos comumente envolvidos são semelhantes aos observados normalmente, as diretrizes do tratamento desses pacientes também se mantêm. A utilização de beta-lactâmico associado a macrolídeo é uma boa escolha.
Certa: o tratamento geralmente segue as diretrizes usuais de pneumonia comunitária, com beta-lactâmico associado a macrolídeo como opção adequada em muitos casos.
Gabarito: B
Nas pneumonias bacterianas em pessoas com HIV, o raciocínio clínico começa do jeito mais simples e mais importante: anamnese, exame físico e revisão da história do HIV, uso de antirretrovirais, profilaxias e contagem de CD4+. Isso ajuda muito porque o risco de infecções muda bastante conforme o grau de imunossupressão. Quando a infecção é bacteriana, o quadro costuma ser parecido com o da pneumonia comunitária do paciente sem imunossupressão: febre, tosse, dispneia, dor torácica e infiltrado alveolar no raio-X. Os agentes mais comuns continuam sendo Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, entre outros. O ponto importante é que, no HIV, as infecções bacterianas não são "tão comuns quanto na população em geral". Na verdade, elas tendem a ser mais frequentes e podem ocorrer com recorrência. Além disso, pneumonia bacteriana recorrente é condição definidora de AIDS, o que a banca explorou na frase com pegadinha. Por isso, o item B está incorreto: ele erra ao minimizar a frequência das infecções bacterianas no HIV, embora acerte em parte ao citar os agentes e a semelhança clínica com a pneumonia típica. As alternativas A, C e D descrevem de forma coerente a abordagem e o padrão da pneumonia bacteriana associada ao HIV.