O diagnóstico da sífilis é complexo, uma vez que cada estágio da doença tem exigências especiais. Sobre o diagnóstico bacteriológico da sífilis, assinale CORRETAMENTE.
- A)Os testes se dividem em dois grupos gerais: testes sorológicos treponêmicos e testes sorológicos não treponêmicos.
Correta, porque os exames sorológicos para sífilis são classicamente divididos em treponêmicos e não treponêmicos.
- B)Os testes microscópicos são importantes para a triagem da sífilis terciária, uma vez que os testes sorológicos para esse estágio não são confiáveis.
Errada, porque na sífilis terciária os testes sorológicos continuam sendo importantes e, em geral, são reagentes.
- C)Somente testes do tipo treponêmico são utilizados como testes confirmatórios.
Errada, porque testes não treponêmicos também são fundamentais na triagem e no seguimento, embora os treponêmicos tenham maior valor confirmatório.
- D)No estágio primário, quando as espiroquetas já invadiram a maioria dos órgãos do corpo, os testes sorológicos são reativos.
Errada, porque na fase primária a doença ainda não corresponde à disseminação sistêmica ampla descrita na alternativa.
Gabarito: A
A sífilis costuma cair em prova porque o diagnóstico muda conforme o estágio da doença. No começo, especialmente na fase primária, a melhor chance de confirmação pode vir da visualização direta do Treponema pallidum em material da lesão, mas no dia a dia o que domina mesmo são os testes sorológicos. Eles não são todos iguais: há os testes treponêmicos, que detectam anticorpos mais específicos contra o agente, e os não treponêmicos, que ajudam na triagem e no acompanhamento da resposta ao tratamento. Os testes não treponêmicos, como VDRL e RPR, são úteis para rastreamento e seguimento, porque os títulos tendem a cair após o tratamento. Já os treponêmicos, como FTA-ABS, TPHA/TPPA e testes rápidos treponêmicos, costumam ser usados para confirmar a infecção, pois têm maior especificidade. Em outras palavras, um grupo ajuda a suspeitar e monitorar, o outro ajuda a confirmar. É a dupla clássica da sífilis: um olha para a atividade da doença e o outro reconhece o invasor com mais precisão. Por isso, a alternativa A está correta ao dividir os testes em dois grupos gerais: sorológicos treponêmicos e sorológicos não treponêmicos. Essa é a classificação doutrinária aceita na prática clínica e em materiais de infectologia. As demais opções erram ao atribuir pouca confiabilidade aos sorológicos na terciária, ao dizer que apenas testes treponêmicos seriam confirmatórios sem considerar o papel dos não treponêmicos na triagem e ao confundir a fase primária com disseminação sistêmica já avançada.