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Medicina · CEV-URCA · 2025

Questão comentada de Medicina

Carlos, 60 anos, com insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (IC-FER), está em tratamento com IECA (enalapril), betabloqueador (carvedilol) e diurético de alça, mas mantém sintomas de classe funcional II-III e fração de ejeção de 32%. Qual classe de medicamento introduzida recentemente nas diretrizes contribui para melhorar o prognóstico e pode ser acrescentada de forma sistemática quando não houver contraindicações?

Gabarito: B

Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, o tratamento de base não serve só para aliviar sintomas: ele também busca reduzir internações e mortalidade. Por isso, além de IECA/ARA, betabloqueador e diurético para controle de congestão, as diretrizes passaram a incorporar uma classe com benefício prognóstico bem consistente: os inibidores de SGLT2. Essas medicações, como dapagliflozina e empagliflozina, eram conhecidas pelo uso no diabetes, mas estudos em IC-FER mostraram melhora de desfechos mesmo em pacientes sem diabetes. Na prática, isso virou um ponto importante das diretrizes: se o paciente tem IC-FER sintomática e não há contraindicação, essa classe pode ser acrescentada de forma sistemática, junto com a terapia já otimizada. O raciocínio é simples: você não usa SGLT2 só para "baixar açúcar", e sim para proteger o coração da insuficiência cardíaca. É uma daquelas mudanças que a cardiologia adora fazer parecer elegante, mas no fundo é ótima notícia para o paciente, porque reduz piora clínica e hospitalizações. Assim, no caso descrito, o paciente tem IC-FER, sintomas persistentes e fração de ejeção de 32%, cenário clássico para intensificação do tratamento com um inibidor de SGLT2, desde que não existam contraindicações como eGFR muito baixo, infecções genitais recorrentes ou intolerância específica.

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