Carlos, 60 anos, com insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (IC-FER), está em tratamento com IECA (enalapril), betabloqueador (carvedilol) e diurético de alça, mas mantém sintomas de classe funcional II-III e fração de ejeção de 32%. Qual classe de medicamento introduzida recentemente nas diretrizes contribui para melhorar o prognóstico e pode ser acrescentada de forma sistemática quando não houver contraindicações?
- A)Antipsicóticos atípicos.
Errada: antipsicóticos atípicos não têm papel no tratamento da insuficiência cardíaca e podem até piorar risco cardiometabólico.
- B)Inibidores de SGLT2 (ex.: dapagliflozina ou empagliflozina).
Certa: inibidores de SGLT2 reduziram mortalidade e hospitalizações na IC-FER e passaram a integrar o tratamento padrão quando não houver contraindicações.
- C)Estatinas em doses altas, mesmo sem dislipidemia.
Errada: estatinas não são indicadas de forma rotineira para melhorar prognóstico da IC-FER, salvo se houver outra indicação cardiovascular.
- D)Anticoagulantes orais para todos os pacientes.
Errada: anticoagulantes não são prescritos para todos os pacientes com insuficiência cardíaca, apenas quando há indicação específica, como fibrilação atrial ou tromboembolismo.
- E)Bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (ex.: verapamil).
Errada: bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos podem piorar a função sistólica e são evitados na IC-FER.
Gabarito: B
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, o tratamento de base não serve só para aliviar sintomas: ele também busca reduzir internações e mortalidade. Por isso, além de IECA/ARA, betabloqueador e diurético para controle de congestão, as diretrizes passaram a incorporar uma classe com benefício prognóstico bem consistente: os inibidores de SGLT2. Essas medicações, como dapagliflozina e empagliflozina, eram conhecidas pelo uso no diabetes, mas estudos em IC-FER mostraram melhora de desfechos mesmo em pacientes sem diabetes. Na prática, isso virou um ponto importante das diretrizes: se o paciente tem IC-FER sintomática e não há contraindicação, essa classe pode ser acrescentada de forma sistemática, junto com a terapia já otimizada. O raciocínio é simples: você não usa SGLT2 só para "baixar açúcar", e sim para proteger o coração da insuficiência cardíaca. É uma daquelas mudanças que a cardiologia adora fazer parecer elegante, mas no fundo é ótima notícia para o paciente, porque reduz piora clínica e hospitalizações. Assim, no caso descrito, o paciente tem IC-FER, sintomas persistentes e fração de ejeção de 32%, cenário clássico para intensificação do tratamento com um inibidor de SGLT2, desde que não existam contraindicações como eGFR muito baixo, infecções genitais recorrentes ou intolerância específica.