Na assistência ao idoso constituem posturas e condutas médicas inadequadas, exceto:
- A)Confundir envelhecimento puro com doença (p. ex., a demora para recuperar informações não é demência).
Errada, porque confundir envelhecimento normal com demência ou outra doença leva a superdiagnóstico e conduta inadequada.
- B)Confundir doença com envelhecimento puro (p. ex., atribuir artrite debilitante, tremor, ou demência à velhice).
Errada, porque atribuir artrite, tremor ou demência apenas à velhice faz você perder diagnósticos tratáveis.
- C)Ignorar o maior risco dos efeitos adversos sobre os sistemas com elos fracos estressados por doença.
Errada, pois idosos têm maior risco de efeitos adversos justamente por menor reserva fisiológica e multimorbidade.
- D)Esquecer que os idosos muitas vezes têm vários distúrbios subjacentes (p. ex., hipertensão, diabetes, aterosclerose) que aceleram o potencial de dano.
Errada, porque é essencial lembrar das comorbidades frequentes no idoso, já que elas aumentam o risco de dano e complicações.
- E)Continuamente estar atento aos riscos e vulnerabilidades identificando-as o mais precoce possível.
Certa, pois a assistência geriátrica exige vigilância contínua, identificação precoce de riscos e atenção às vulnerabilidades.
Gabarito: E
Na geriatria, o grande erro é olhar o idoso e reduzir tudo a "idade". Isso leva a dois deslizes clássicos: tratar doença como se fosse envelhecimento normal, ou tratar envelhecimento normal como se fosse doença. Exemplo simples: uma lentidão para lembrar algo pode acontecer com o envelhecimento, mas não significa, por si só, demência. Do outro lado, artrite incapacitante, tremor importante ou declínio cognitivo não devem ser jogados na conta da velhice como se fossem "coisas da idade". Outro ponto importante é que o idoso costuma ter menos reserva fisiológica. Então, um remédio que parece inocente em adulto pode causar efeitos adversos mais fortes, porque os sistemas ficam mais vulneráveis quando já existem doenças, fragilidades e interações medicamentosas. Por isso, a avaliação precisa ser mais cautelosa, olhando o conjunto e não só o sintoma isolado. A banca quer justamente essa lógica: as alternativas A, B, C e D descrevem posturas inadequadas. Já a alternativa E traz uma conduta correta na assistência ao idoso, que é manter vigilância contínua sobre riscos e vulnerabilidades e reconhecê-los precocemente. Isso combina com a abordagem geriátrica integral, centrada na prevenção, na funcionalidade e na identificação precoce de problemas. Em linguagem de prova: na geriatria, você não pode ser nem "idade demais" nem "doença demais". O ideal é observar cedo, investigar melhor e não atribuir tudo ao envelhecer.