Sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), analise as assertivas a seguir. I. A DPOC é uma causa frequente de morbidade e mortalidade mundialmente conhecida, cujo quadro clínico nas fases iniciais se assemelha aos sintomas atribuídos ao tabagismo, no qual a tosse e a presença de catarro são frequentes, sendo necessária, para o diagnóstico, a correlação com a presença de obstrução ao fluxo aéreo na espirometria. Chiado e aperto no peito são sintomas inespecíficos e de apresentação variável ao longo do dia, mais frequentes nos idosos e nos períodos de exacerbações infecciosas. II. A coexistência da depressão e a DPOC nos pacientes são altas, assim como a concomitância de DPOC e os distúrbios de ansiedade. A associação dessas duas condições piora a aptidão física, prejudica a qualidade de vida, provoca o uso mais frequente de cuidados médicos e reduz a adesão medicamentosa. A correlação dos transtornos de ansiedade associados com doenças respiratórias pode piorar subjetivamente os sintomas da doença, especialmente a dispneia ou a tosse. Isso resulta em uma rotina de exacerbações, maior taxa de atendimento hospitalar, aumento do número de doses de broncodilatadores, corticosteroides inalatórios, antibióticos e incidência dos eventos adversos. III. Porque os sintomas da doença não são, muitas vezes, valorizados, há uma progressiva gravidade da obstrução ao fluxo aéreo, que pode ser determinada pela medida, na espirometria, do volume expiratório final forçado no primeiro segundo pós-broncodilatador (VEF1%-PBD). No idoso, o estado nutricional, a reduzida capacidade para realizar exercícios físicos e a presença de doenças crônicas, como osteoporose, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e depressão, são fatores considerados como possíveis complicadores e aumentam a mortalidade associada à DPOC. Marque a opção que indica a(s) alternativa(s) CORRETA(S).
- A)I.
A alternativa I descreve um quadro típico da DPOC: doença frequente, com tosse e expectoração como manifestações comuns nas fases iniciais, e cuja confirmação diagnóstica exige obstrução persistente ao fluxo aéreo na espirometria pós-broncodilatador, como orienta o GOLD. Também é correto dizer que sibilos e aperto torácico podem aparecer, mas são achados inespecíficos e variáveis, muitas vezes mais evidentes nas exacerbações. Portanto, o conteúdo da assertiva está em linha com a apresentação clínica e o critério funcional da doença.
- B)II.
A alternativa II afirma que depressão e ansiedade são muito comuns na DPOC e que essas comorbidades pioram funcionalidade, qualidade de vida, adesão ao tratamento e uso de serviços de saúde. Isso é consistente com a literatura e com diretrizes como o GOLD, que reconhecem o impacto prognóstico dos transtornos mentais na percepção de dispneia e na frequência de exacerbações. A assertiva também acerta ao relacionar esse cenário com maior consumo de broncodilatadores, corticoides, antibióticos e maior risco de eventos adversos.
- C)III.
A alternativa III sustenta que os sintomas da DPOC podem ser subvalorizados e que a obstrução ao fluxo aéreo é mensurada na espirometria pelo VEF1 pós-broncodilatador, usado na avaliação da gravidade. Além disso, aponta corretamente que baixo estado nutricional, limitação ao exercício e comorbidades como osteoporose, doenças cardiovasculares, diabetes e depressão pioram o prognóstico e aumentam a mortalidade. Assim, a assertiva reúne elementos clássicos da avaliação funcional e prognóstica da DPOC.
- D)I - II.
Esta alternativa reúne as assertivas I e II, que tratam de dois pilares verdadeiros da DPOC: a apresentação clínica com tosse, expectoração e confirmação espirométrica, e a alta frequência de depressão e ansiedade com impacto na evolução clínica. O problema é que a assertiva III também traz informações corretas sobre a avaliação pelo VEF1 pós-broncodilatador e sobre comorbidades que agravam a mortalidade. Como a questão pede todas as corretas, a combinação apenas de I e II fica incompleta.
- E)I - II - III.
A alternativa reúne I, II e III, e por isso contempla integralmente o enunciado. A primeira descreve o quadro clínico e o diagnóstico funcional da DPOC, a segunda destaca as comorbidades psiquiátricas e seus efeitos negativos sobre a doença, e a terceira aborda a avaliação espirométrica e os fatores prognósticos associados à maior mortalidade. Como as três assertivas são compatíveis com o conteúdo técnico da pneumologia, esta é a opção correta.
Gabarito: E
A DPOC é uma doença crônica muito comum, ligada principalmente ao tabagismo, e costuma começar de forma traiçoeira: tosse, catarro e falta de ar vão aparecendo aos poucos, quase como se fossem “coisas do cigarro”, o que faz muita gente demorar a procurar ajuda. O diagnóstico não é feito só pela história clínica: ele precisa ser confirmado na espirometria, mostrando obstrução persistente ao fluxo aéreo, geralmente após broncodilatador. Outro ponto importante é que DPOC não afeta só o pulmão. Depressão e ansiedade são muito frequentes nesses pacientes e pioram a percepção dos sintomas, especialmente dispneia e tosse. Na prática, isso costuma aumentar idas ao serviço de saúde, piorar adesão ao tratamento e até favorecer mais exacerbações. Então, quando a banca mistura pulmão com saúde mental, não é enfeite: é fisiopatologia e impacto clínico de verdade. A doença também tende a evoluir com progressão da limitação ao fluxo aéreo, e a espirometria ajuda a medir essa gravidade pelo VEF1 pós-broncodilatador. Além disso, em idosos, desnutrição, baixa capacidade funcional e comorbidades como osteoporose, doenças cardiovasculares, diabetes e depressão pesam muito no prognóstico. Ou seja, a DPOC não vem sozinha: ela adora aparecer com “companhia ruim”. Por isso, as três assertivas estão corretas. A questão cobra exatamente esse conjunto clássico da DPOC: sintomas respiratórios iniciais, confirmação espirométrica, impacto de ansiedade e depressão, e pior prognóstico com comorbidades e fragilidade funcional. Gabarito E.