Homem, 49 anos, hipertenso bem controlado (ASA II), submetido à cirurgia de grande porte (tumor cerebral de fossa posterior), sob anestesia geral venosa total e monitorização neurofisiológica de potenciais evocados. Entre os Potenciais Evocados (PE), assinale qual deles possui maior resistência à ação dos anestésicos, e, portanto, tornam-se mais indicados para o tipo de cirurgia em questão?
- A)Potencial evocado visual.
O potencial evocado visual é útil, mas costuma ser bastante sensível aos anestésicos e por isso não é o mais resistente.
- B)Potencial evocado somatossensitivo.
O potencial evocado somatossensitivo é muito usado, porém sofre mais interferência da anestesia do que o auditivo.
- C)Potencial evocado motor.
O potencial evocado motor é um dos mais frágeis à ação anestésica, exigindo maior cuidado para não perder o traçado.
- D)Potencial evocado auditivo.
O potencial evocado auditivo é o mais resistente à ação dos anestésicos, sendo muito indicado na monitorização neurofisiológica intraoperatória.
- E)Potencial evocado visceral.
Potencial evocado visceral não é o padrão clássico de monitorização desse tipo de cirurgia e não é o mais resistente à anestesia.
Gabarito: D
Na monitorização neurofisiológica durante neurocirurgia, a escolha do potencial evocado importa porque a anestesia pode “amolecer” ou até apagar alguns sinais. Em geral, os potenciais motores são os mais sensíveis aos anestésicos, enquanto os potenciais evocados auditivos de tronco encefálico costumam ser os mais estáveis e resistentes. Isso os torna muito úteis quando se quer acompanhar a integridade neurológica sem perder tanto a qualidade do traçado. No caso de uma cirurgia de fossa posterior, sob anestesia geral venosa total, você quer um método que sofra menos interferência dos anestésicos e permita monitorização contínua com menor risco de falso alarme. Os potenciais auditivos, especialmente os de tronco encefálico, preservam melhor sua resposta mesmo com agentes anestésicos, por isso são os preferidos em cenários como esse. Já os potenciais somatossensitivos e visuais também podem ser usados, mas tendem a ser mais afetados pela anestesia, pela temperatura e por alterações hemodinâmicas. Em prova, a lógica é simples: se a questão perguntar qual potencial “aguenta melhor” a anestesia, pense primeiro no auditivo. Em termos práticos, isso combina com a doutrina de anestesiologia e neurofisiologia intraoperatória: quanto menor a interferência do anestésico no sinal, mais confiável a monitorização. Por isso, o gabarito D está correto.