Gestante de 20 anos, com 20 semanas de gestação, sem queixas, com primeira rotina laboratorial sem alterações, trouxe resultado da Citopatologia que está alterada, indicando lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL). Segundo as diretrizes do rastreamento do câncer de colo uterino de 2016, orienta-se:
- A)repetir a citologia após o parto.
Correta: em gestante com LSIL e sem suspeita de invasão, a conduta é repetir a citologia no pós-parto.
- B)repetir a citologia após 12 meses.
Errada: o intervalo de 12 meses não é a orientação específica para essa situação na gestação.
- C)repetir a citologia em 3 anos.
Errada: repetir em 3 anos é intervalo de rastreamento para exame normal, não para citologia alterada.
- D)encaminhar para colposcopia com biópsia dirigida.
Errada: colposcopia com biópsia não é rotina para LSIL na gestante sem sinais de lesão de alto grau ou câncer.
- E)realizar exérese da zona de transformação.
Errada: exérese da zona de transformação é procedimento desnecessário e invasivo, sem indicação aqui.
Gabarito: A
Na gestação, o rastreamento do câncer do colo do útero segue algumas regras de prudência: o exame alterado precisa ser interpretado com calma, porque a gravidez pode limitar condutas mais invasivas e muitas lesões de baixo grau regridem espontaneamente. No caso de LSIL em gestante, sem sinais de invasão, a conduta recomendada pelas diretrizes de 2016 é adiar a reavaliação para o pós-parto, quando o colo uterino pode ser investigado com mais segurança e tranquilidade. Isso acontece porque a LSIL, por si só, não costuma exigir tratamento imediato, ainda mais durante a gravidez. Em gestantes, a colposcopia e a biópsia ficam reservadas para situações em que haja suspeita de lesão de alto grau ou de câncer invasor. Se o achado é apenas de baixo grau, o mais comum é acompanhamento conservador. Então, por que o gabarito é A? Porque a orientação é repetir a citologia após o parto, e não correr para procedimentos desnecessários. A ideia aqui é proteger mãe e bebê sem perder o foco oncológico. Em concurso, sempre desconfie quando a banca quiser “intervir logo” em uma lesão que, na gestante, costuma ser manejada com observação. Em resumo: LSIL na gravidez, sem sinais de gravidade, pede seguimento depois da gestação. É uma conduta clássica de prudência obstétrica com base nas diretrizes de rastreamento do câncer do colo do útero de 2016.