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Medicina · CETAP · 2023

Questão comentada de Medicina

Neonato, 22 dias de vida, masculino, sendo submetido eletivamente a correção de hérnia inguinal encarcerada. O anestesista propôs como tática anestésica indução inalatória com sevoflurano e manutenção em respiração espontânea com sistema de Mapleson A, associada a bloqueio de parede abdominal com anestésico local. Durante o procedimento, observa hipotensão arterial refratária, ainda que reduzindo a fração ofertada de halogenado, otimizando a oferta hídrica e excluindo causas hipovolêmicas ou mal posicionamento das vias aéreas, mantendo a criança com driver respiratório satisfatório e boa oxigenação. Tendo conhecimento da fisiologia neonatal, assinale a possível causa da hipotensão refratária neste caso.

Gabarito: E

No neonato, a circulação e o débito cardíaco dependem muito mais da frequência cardíaca do que do aumento do volume sistólico. Isso acontece porque o miocárdio neonatal tem menor reserva contrátil e menor capacidade de variar o débito quando o anestésico ou um estímulo cirúrgico bagunça a hemodinâmica. Ou seja, se a frequência cai, a pressão despenca rápido. Em cirurgias de abdome e região inguinal, especialmente em lactentes pequenos, a manipulação pode desencadear reflexo vagal, com bradicardia e hipotensão. Como o caso já exclui hipovolemia, problema de via aérea e mantém boa oxigenação, a causa mais provável da hipotensão refratária é a estimulação vagal. Na prática, o neonatologista e o anestesista vivem esse detalhe: o bebê descompensa com facilidade quando o tônus vagal domina, e o halogenado ainda pode piorar a resposta cardiovascular.

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