Assinale a opção que apresenta a condição clínica sugestiva para a realização de uma broncoscopia de cunho diagnóstico.
- A)lesão tumoral localizada em região periférica pulmonar
Errada: lesões periféricas pulmonares costumam ser melhor investigadas por métodos guiados por imagem, e não pela broncoscopia simples.
- B)tosse seca com mais de três semanas de duração
Errada: tosse seca por mais de três semanas é inespecífica e, isoladamente, não é indicação clássica de broncoscopia diagnóstica.
- C)derrame pleural unilateral
Errada: derrame pleural unilateral geralmente é avaliado primeiro com toracocentese e análise do líquido pleural.
- D)dispneia aguda com radiografia de tórax normal
Errada: dispneia aguda com radiografia normal sugere investigação clínica e funcional inicial; broncoscopia não é a primeira escolha.
- E)hemoptise em usuário de cocaína
Certa: hemoptise é indicação clássica de broncoscopia diagnóstica, e o uso de cocaína aumenta a suspeita de sangramento e lesão de via aérea.
Gabarito: E
A broncoscopia diagnóstica entra em cena quando você precisa olhar diretamente a árvore brônquica, colher material e esclarecer a causa de sintomas ou achados suspeitos. Ela é muito útil em hemoptise, suspeita de tumor central, infecções, corpo estranho e algumas situações de sangramento. Pense nela como a “câmera” do pulmão: quando a imagem e a clínica não fecham, ela ajuda a montar o quebra-cabeça. No enunciado, a pista mais forte é a hemoptise em usuário de cocaína. O uso de cocaína pode causar lesão de mucosa, inflamação intensa e até hemorragia alveolar difusa, e a broncoscopia pode ser indicada para localizar o sangramento, afastar outras causas e, se necessário, fazer lavagem broncoalveolar com finalidade diagnóstica. Em pneumologia, hemoptise é um clássico motivo para broncoscopia, especialmente quando há suspeita de lesão endobrônquica ou necessidade de esclarecimento etiológico. As outras alternativas parecem tentadoras, mas não são tão diretas para broncoscopia diagnóstica. Tosse seca crônica pede investigação clínica e, muitas vezes, causa extrapulmonar ou funcional; derrame pleural unilateral costuma começar pela toracocentese; e lesão tumoral periférica, em geral, é melhor abordada com métodos guiados por imagem, como broncoscopia guiada por navegação ou punção transtorácica, dependendo do caso. Aqui a banca quer que você reconheça a indicação clássica, sem inventar moda. Em resumo: hemoptise é um dos cenários mais tradicionais para broncoscopia diagnóstica, e o contexto de uso de cocaína reforça a suspeita de sangramento respiratório que merece visualização direta e coleta de amostras.