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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo masculino, com 24 anos de idade, previamente hígido, foi submetido a transfusão de plasma fresco congelado devido a sangramento ativo de difícil controle no transoperatório de colcistectomia. Evoluiu, após 6 horas da transfusão de primeira bolsa de plasma fresco congelado, com dispneia e desconforto respiratório de instalação súbita, associados a taquicardia sinusal, cianose labial/extremidades, porém sem instabilidade hemodinâmica. Ausculta cardíaca e pulmonar normais; afebril e sem histórico infeccioso prévio. A imagem pulmonar característica é o infiltrado pulmonar bilateral sem aumento de câmara cardíaca ou linhas B, aumento da área cardíaca ou velamento das cúpulas diafragmáticas com insuficiência respiratória aguda grave e necessidade de intubação orotraqueal associada a ventilação mecânica como medida de controle da hipoxemia. O protocolo de hemovigilância identificou bolsa de plasma de doadora mulher multípara. Com base no caso clínico hipotético relatado, é correto afirmar que

Gabarito: E

Aqui a pista principal está no tempo de início e no padrão respiratório: dispneia aguda em até 6 horas após a transfusão, com hipoxemia importante, cianose, sem febre e sem sinais de sobrecarga volêmica. Isso aponta para TRALI, que é a lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, e não para um problema cardíaco ou para hemólise. O quadro típico é edema pulmonar não cardiogênico: infiltrado bilateral na imagem, mas sem aumento da área cardíaca, sem linhas B e sem estigmas de congestão circulatória. O detalhe da bolsa de plasma de doadora mulher multípara também ajuda muito. Em TRALI, o plasma de doadoras sensibilizadas pode conter anticorpos anti-leucócitos, especialmente anti-HLA e anti-neutrófilos, que desencadeiam ativação inflamatória no pulmão do receptor. Resultado prático: capilar pulmonar “vaza”, o pulmão enche de líquido e o paciente piora rápido, às vezes precisando de intubação e ventilação mecânica. É aquele tipo de reação transfusional em que o pulmão reclama antes de qualquer outro órgão. Na prova, o ponto de corte costuma ser simples: se há insuficiência respiratória aguda após transfusão + infiltrado bilateral + ausência de sinais de congestão cardíaca, pense em TRALI. Diferente do TACO, que é excesso de volume e costuma ter hipertensão, estertores, cardiomegalia e resposta a diurético, o TRALI é edema não cardiogênico e o tratamento é suporte ventilatório e suspensão da transfusão, não diurese como solução principal. Em hemovigilância, esse cenário clássico com plasma de multípara é praticamente um convite para marcar TRALI.

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