Com relação à identificação e ao manejo da anafilaxia, assinale a opção correta.
- A)Entre os medicamentos, aqueles de uso mais frequentes como a dipirona, antibióticos beta lactâmicos e os anti-inflamatórios não hormonais são os mais envolvidos.
Errada: os fármacos citados podem causar anafilaxia, mas a afirmação generaliza de forma imprecisa quais são os principais envolvidos, e a banca cobra o quadro clínico e o manejo com mais rigor do que essa lista solta.
- B)Entre os efeitos esperados da adrenalina na anafilaxia, somente os alfa-adrenérgicos são diretamente benéficos.
Errada: a adrenalina age em receptores alfa e beta, e os efeitos beta são muito importantes, especialmente broncodilatação e suporte cardiovascular.
- C)A realização de exames radiológicos com contrastes iônicos de alta osmolaridade e com contrastes não iônicos de baixa osmolaridade possuem chances semelhantes de reações adversas graves.
Errada: contrastes não iônicos de baixa osmolaridade têm menor chance de reações adversas graves do que os iônicos de alta osmolaridade.
- D)O início agudo de hipotensão ou broncoespasmo após a exposição a um alérgeno conhecido para aquele paciente, mesmo na ausência de comprometimento cutâneo típico, pode ser considerado como um evento anafilático provável.
Certa: hipotensão ou broncoespasmo de início agudo após exposição a alérgeno conhecido, mesmo sem manifestações cutâneas, é compatível com anafilaxia provável.
- E)Em casos de anafilaxia, um dos principais agentes medicamentosos é a adrenalina na forma de administração subcutânea na coxa ou em outro local.
Errada: na anafilaxia, a adrenalina deve ser administrada por via intramuscular na face ântero-lateral da coxa, e não por via subcutânea.
Gabarito: D
Anafilaxia é uma reação grave, de início rápido, que pode virar uma emergência respiratória e circulatória em minutos. O diagnóstico é principalmente clínico: você não pode ficar esperando exame bonito quando a pressão cai, o broncoespasmo aparece ou há sinais de choque após exposição a um provável gatilho. A pele ajuda muito, mas ela não é obrigatória para fechar a suspeita. O ponto central do tratamento é adrenalina intramuscular, aplicada de preferência na face ântero-lateral da coxa. Isso mesmo: IM na coxa, não subcutânea, porque a absorção é mais rápida e confiável. Antihistamínicos e corticoides podem ser coadjuvantes, mas não substituem a adrenalina, que é a estrela do show quando a anafilaxia começa a se impor. A banca costuma cobrar a definição clínica clássica: queda aguda de pressão, broncoespasmo, laringoedema ou sintomas respiratórios/circulatórios após exposição a alérgeno conhecido ou provável, mesmo sem urticária ou exantema. Isso é bem alinhado com os critérios clínicos usados em alergologia e nos consensos de anafilaxia. Por isso a alternativa D está correta: início agudo de hipotensão ou broncoespasmo depois de contato com um alérgeno conhecido, ainda que a pele esteja “calma”, pode sim configurar anafilaxia provável. Em prova, lembre da frase mental: anafilaxia não precisa pedir licença para aparecer na pele.