Um homem que fuma há 35 anos, em média duas carteiras de cigarro ao dia, buscou atendimento porque está com dor nos membros inferiores. Ao médico ele relatou que é muito ansioso e que tem aumentado o consumo diário de cigarros. Nesse caso clínico hipotético, a melhor abordagem será
- A)prescrever diazepam para a ansiedade.
Errada, porque diazepam não trata a causa principal do quadro e ainda pode mascarar sintomas sem abordar a dependência de nicotina.
- B)prescrever antibióticos e ansiolíticos.
Errada, porque antibiótico não tem indicação aqui e ansiolítico isolado não resolve a necessidade de avaliação da dependência tabágica.
- C)prescrever anticoagulantes.
Errada, porque anticoagulante não é conduta de rotina para esse quadro apenas com base no tabagismo e na dor referida.
- D)avaliar o grau de dependência da nicotina por meio do teste de Fargerström e oferecer tratamento medicamentoso, se for o caso.
Certa, porque o caso pede avaliação do grau de dependência da nicotina, como pelo teste de Fagerström, com oferta de tratamento medicamentoso se necessário.
- E)prescrever bupropiona, sem a necessidade de avaliação prévia.
Errada, porque bupropiona não deve ser prescrita sem avaliação prévia, já que a escolha do tratamento depende do perfil clínico e do grau de dependência.
Gabarito: D
A dor em membros inferiores, nesse contexto, não deve ser lida de forma apressada como algo que pede sedação, antibiótico ou anticoagulante. O ponto central do caso é o tabagismo importante e de longa data, somado ao aumento recente do consumo por ansiedade, o que exige avaliar dependência de nicotina e planejar cessação do tabagismo. Em medicina, tratar o sintoma sem entender a causa é como trocar o pneu sem olhar o buraco da estrada. O teste de Fagerström é um instrumento clássico para medir o grau de dependência da nicotina. Ele ajuda a definir a intensidade da abordagem e a necessidade de tratamento medicamentoso associado a medidas comportamentais. Quanto maior a dependência, maior a chance de o paciente precisar de apoio farmacológico, como terapia de reposição de nicotina, bupropiona ou vareniclina, conforme perfil clínico e contraindicações. Por isso, a melhor conduta é avaliar a dependência e oferecer tratamento, se indicado, em vez de sair prescrevendo remédio para ansiedade sem investigar o problema do tabagismo. A lógica das diretrizes de cessação do tabagismo e da abordagem clínica é sempre individualizar o tratamento, começando pela avaliação do grau de dependência. O caso também sugere possível doença vascular periférica relacionada ao cigarro, o que reforça ainda mais a necessidade de uma abordagem clínica estruturada, e não apenas sintomática.