Criança de 12 anos de idade é encaminhada a avaliação médica por apresentar esteatose hepática em ecografia de avaliação para comorbidades, em razão de seu elevado índice de massa corporal, a saber, 36 kg/m2 . Considerando o caso clínico apresentado, assinale a opção correta a respeito da doença hepática gordurosa em crianças.
- A)Mudanças comportamentais são ineficazes na população pediátrica para o tratamento dessa doença.
Errada, porque mudanças comportamentais são justamente a base do tratamento da doença hepática gordurosa na infância.
- B)A elastografia hepática deve ser solicitada no caso em apreço.
Certa, pois a elastografia hepática ajuda a avaliar rigidez e risco de fibrose em criança com esteatose e obesidade.
- C)O uso de ácido ursodesoxicólico deve ser prescrito imediatamente ao paciente.
Errada, porque o ácido ursodesoxicólico não é indicado como tratamento imediato de rotina para essa doença.
- D)A evolução do quadro para fibrose hepática é rara em crianças.
Errada, já que a evolução para fibrose pode ocorrer e exige acompanhamento, não sendo um evento raro a ponto de ser minimizado.
- E)A cirurgia bariátrica é formalmente contraindicada em crianças e adolescentes, ainda que apresentem comorbidades.
Errada, porque a cirurgia bariátrica não é formalmente contraindicada em todos os casos de crianças e adolescentes; pode ser considerada em situações selecionadas.
Gabarito: B
A doença hepática gordurosa não alcoólica na infância costuma aparecer em crianças com obesidade e pode começar de forma silenciosa, como neste caso da ecografia que mostrou esteatose. O ponto principal é que não se trata de um achado “inofensivo”: em parte dos pacientes, a gordura no fígado pode vir acompanhada de inflamação e evoluir para fibrose ao longo do tempo. Na prática, a primeira linha de cuidado é sempre mudança de estilo de vida, com alimentação adequada, atividade física e controle do peso. Então, dizer que medidas comportamentais são ineficazes é errado. E o ácido ursodesoxicólico também não entra como tratamento imediato de rotina, porque não é terapia padrão para essa situação. Aqui entra o motivo do gabarito: a elastografia hepática é um exame útil para estimar rigidez do fígado e ajudar na avaliação de fibrose, especialmente em crianças obesas com esteatose já identificada. Ela não substitui o raciocínio clínico, mas acrescenta informação importante para estratificar gravidade. Outro ponto importante é que a progressão para fibrose não é rara a ponto de ser desprezada. Já a cirurgia bariátrica não é “proibida por definição” em todos os casos pediátricos, pois pode ser considerada em adolescentes muito selecionados, com obesidade grave e comorbidades, sempre em centro especializado.